Editorial
Múltiplos Títulos
Editoriais costumam ter um título e discorrem sobre determinado assunto ou múltiplos assuntos, relacionados ou não entre si, se o título assim o sugerir.
Porém, em função das últimas e funestas ocorrências em nosso país, há tantos assuntos importantes que é muito difícil elaborar um editorial com somente um título e, se fosse realmente necessário colocar apenas um aqui, ele talvez fosse um tropicalista “Geléia Geral”, ou ainda um carnavalesco “Samba do Crioulo Doido”, ambos títulos de músicas genuinamente nacionais e de grande sucesso.
Se tivéssemos que discorrer sobre assuntos exteriores ao Brasil, poderíamos utilizar o título “Criminalidade aumenta em países onde foi adotado o desarmamento”, este último francamente baseado em manchete do jornal paulista Folha de São Paulo, de 29 de janeiro de 2002 (“Crime à mão armada dispara no Reino Unido — país que se orgulha de sua política de desarmamento constata alta acentuada do uso de armas de fogo por criminosos”), onde novamente cita-se a Inglaterra, com 53% de incremento em ações criminosas à mão armada desde o ano passado (só em Londres os homicídios aumentaram quase 90% de 2000 para 2001), ou seja, depois de lá ter sido adotado o malfadado desarmamento do cidadão de bem — ideia que agora surge no Brasil como “solução perfeita” para décadas de má administração em campos tão variados como educação, segurança, bem-estar social e por aí afora (para que citar mais assuntos que são, ao mesmo tempo, nomes de ministérios? O leitor já os conhece todos e sobejamente).
Conforme o Sr. De Gaulle, ilustríssimo presidente da França, teria afirmado há muitos anos, “o Brasil não é um país sério”. Será que ele estava apenas baseando-se no pouco que sabia de nós ou teve vislumbres de um futuro onde alguns conhecidos sequestradores e assaltantes de bancos um dia seriam representantes legitimados pelo povo através do voto? Será que supostas causas políticas permitem certas atitudes consideradas normalmente criminosas à luz de qualquer legislação penal do mundo?
O fato é que não conseguimos esquecer um adesivo que era utilizado em automóveis à época do final do governo Sarney e que trazia os seguintes dizeres: “Figueiredo e gonorreia — que saudade!”, obviamente referindo-se aos “bons tempos” quando a AIDS praticamente não existia, as DSTs resumiam-se a conhecidas doenças venéreas curáveis por antibióticos e o então presidente da República e seu conjunto de ministros tinham pulso para manter a situação sob controle.
O mais estranho é que possuímos leis que regem o assunto utilização criminosa de armas de fogo, por sinal muito severas quando comparadas às de alguns outros países. Que tal se elas fossem realmente aplicadas? Como? Precisam mesmo ser mudadas? Bem, nesse caso, sugerimos as leis penais do estado da Flórida, nos Estados Unidos, algumas das quais já descritas no editorial da edição nº 71 de MAGNUM e que conseguiram reduzir os índices de criminalidade naquele estado norte-americano.
Problemas apontados, sugestões sérias indicadas: cumprimos nosso papel.
Lembramos ainda que o estado de Nova York, também nos Estados Unidos, sempre teve uma das mais restritivas leis no que se refere a armamento e, contudo, a criminalidade por lá só diminuiu recentemente, após ter sido reforçado o estrito cumprimento da lei em seus mínimos detalhes, ação sobejamente conhecida como tolerância zero.
Por essas e outras, percebemos ser uma pena que nossos políticos não tenham vontade de pesquisar tais realidades antes de tentarem criar soluções milagrosas e imediatistas de pouco ou nenhum embasamento histórico e legal.
Tempos interessantes, estes atuais, nos quais políticos sem a mínima compreensão do tema segurança pública arvoram-se em dar palpites surreais e eleitoreiros.
Realmente interessantes, pois os que sugerem desarmar o cidadão de bem andam quase todos rodeados de guarda-costas armados e não percebem que os bandidos continuarão a ser abastecidos de armas pelo contrabando caso a proibição venha realmente a ser estabelecida (continuarão, sim, já que eles não compram armamento em lojas) e só nós, cidadãos de bem, estaremos desarmados e à mercê do crime.
Aliás, em um desafio, gostaríamos que algum desses políticos mostrasse para nós, de MAGNUM, quais são, no Brasil, os estabelecimentos nos quais é possível adquirir legalmente carabinas ou fuzis AR-15 ou AK-47, ou mesmo simples pistolas no calibre 9 mm P.
Se qualquer desses “iluminados” for capaz de nos dar tal informação, aí sim engajar-nos-emos de corpo e alma no desarmamento geral e não só das pessoas de bem.
Por enquanto, preferimos a vida. Por enquanto, preferimos ter a legítima opção da autodefesa.
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