Editorial
Futuro imediato ou “Hoje o dedo, amanhã a mão.”
Enquanto este editorial é escrito, a matéria sobre a proibição do porte de arma para o cidadão de bem é votada. Já passou em uma das Casas e vai para votação na outra: políticos que, em sua maioria, não foram eleitos por capacidade, mas por terem mais dinheiro para suas campanhas, resolvem a sua vida, em uma ingerência que não vai permitir que você se defenda quando maus elementos o assaltarem para roubá-lo ou coisa pior, como sequestro, estupro, etc.
O próximo passo, qual será? Vão tirar a arma de dentro de seu lar também? E quando ele for invadido, haverá tempo para chamar a polícia? E algo ainda mais sério: chegará ela a tempo de evitar a tragédia quando o último bastião de sua liberdade individual, seu derradeiro portal de defesa, for adentrado? E quando resolverem tomar sua casa, como aconteceu, por exemplo, na Rússia de Stalin, na Alemanha de Hitler e na Líbia de Khaddafi? Hoje o dedo, amanhã a mão.
Pode ser que a medida contra o porte não passe na segunda votação, garantindo assim um de seus direitos fundamentais, aquele relativo à vida. Não seria o Estado, de algum modo, responsável ao remover sua oportunidade de defender-se contra a marginalidade?
Embalados pelas considerações acima é que tivemos a inspiração necessária para escrever este editorial e, daqui para a frente, ousaremos fazer duas previsões interessantes quanto aos resultados da votação, uma delas otimista e a outra pessimista, como naquela piada dos dois sujeitos que ganharam latinhas cheias de excremento de cavalo e cada um interpretou o presente à sua maneira.
A otimista (que pode salvar sua vida)
Finalmente a lógica venceu. Muitos deputados e senadores, parando para pensar e, algo raro, colocando-se no lugar de seus eleitores, votaram contra a medida que proibia o porte de arma para o cidadão de bem. Os entreguistas, frustrados, não se conformavam com o fato de que os brasileiros de boa índole poderão portar, para sua defesa, uma arma de fogo, e sem nenhuma restrição de calibre, afinal, os bandidos sempre portaram armas sem licença e, é claro, em calibres bem mais potentes.
A justificativa foi simples: para que o cidadão não fique à mercê da marginalidade quando a polícia, geralmente mal paga e mal aparelhada, não puder estar presente para garantir seu direito à vida. E todos os presentes em plenário aplaudiram a medida, já que repentinamente conscientizaram-se de que eles também podem vir a sofrer as consequências da falta de defesa imediata.
A pessimista (que proíbe seu direito à vida)
Como era de se esperar de representantes de uma população “carneira” e conformada, tanto o Senado quanto a Câmara dos Deputados aprovaram, na íntegra, a lei que proíbe o porte de arma de fogo, ainda que com a então vigente restrição de calibre e a dureza de leis nunca aplicadas. Discursos inflamados, com poucos apartes, mostraram que os ditos representantes do povo brasileiro estão de pleno acordo que o cidadão de bem não deve portar arma. E, na sequência, mandaram rezar uma missa em intenção da bandidagem, para que ela pare com essa estranha mania de andar armada e de ameaçar a população, baseada no direito adquirido de ser considerada marginalizada pela sociedade.
Aventaram ainda que a lei e a ordem só podem ser conseguidas no momento em que todos andarem desarmados. Bem, os membros da oposição chamaram tal afirmação de utópica e hitleriana, mas ninguém os ouviu por serem absoluta minoria.
Os da situação aproveitaram a ocasião para informar que o próximo passo ideal será confiscar todas as armas em poder de civis, a princípio, pois em breve quererão que nem as polícias nem as Forças Armadas as tenham, a não ser em estrita e derradeira defesa da pátria. Tudo isso baseado em uma estranha e irreal colocação de que as polícias de Londres e de Tóquio não andam armadas e que o crime nestas capitais é plenamente controlado. Claro que nunca ouviram falar da Yakuza nem das gangues inglesas, mas...
Na plateia, um cidadão revoltado mostrou um cartaz com os seguintes dizeres: “Armas geram o crime assim como moscas geram o lixo”, mas foi logo contido pela segurança armada, antes que algumas redes de televisão não comprometidas com investidores estrangeiros que patrocinam concomitantemente ONGs contra armas e a favor de drogas noticiassem devidamente o fato.
Leitor, a escolha é sua. Pena que não vão ouvi-lo antes de tomarem alguma decisão. Afinal, você é apenas um cidadão comum, sem direito à palavra. Mas, se você quiser mesmo andar armado, a única solução é ser guarda-costas de qualquer político, ainda que ele seja contra as armas nas mãos da população.
Apelo aos leitores: enviem este e outros editoriais de MAGNUM, através de fax, e-mail ou correio, para nossos representantes na Câmara e Senado Federais. Talvez, desse modo, eles possam ver o outro lado da moeda e finalmente legislar com consciência.
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