Editorial
AS LIÇÕES DO TUMULTO DE LOS ANGELES
Nota dos Editores: os leitores por certo estranharão a não-habitual extensão deste editorial. Entretanto, há razões de sobra para justificá-la, conforme se depreenderá da leitura atenta do mesmo. Os fatos recentemente ocorridos na cidade norte-americana de Los Angeles não são impossíveis de acontecer em outras cidades de qualquer país do mundo, inclusive o Brasil, e assim é justo que a população que aprecia armas de fogo e os policiais brasileiros tenham uma visão técnica do sucedido. Dessa forma, recomendamos fortemente a atenta leitura deste extenso editorial a todos.
O tumulto da Grande Los Angeles, Califórnia, teve sua origem quando a televisão norte-americana, a partir do início de junho deste ano, pretensamente apenas informando que se aproximava o julgamento dos policiais envolvidos no espancamento do motorista negro Rodney King, insistentemente mostrava nos telejornais apenas algumas cenas de um vídeo tape amador que havia registrado o incidente. Nestas cenas, o motorista Rodney King era mostrado como a mais plena das vítimas, "alvo cruel da selvageria de policiais brancos."
O total da gravação desse vídeo, entretanto, tem 18 minutos e 16 segundos e revela também que o forte motorista negro Rodney King, 1,83 m de altura e 113 kg de peso, mesmo após ter tomado duas descargas elétricas de 50.000 volts cada de uma "stun gun", embriagado que estava, levanta-se agilmente e, gritando palavrões, empurra um dos policiais, momento exato em que os outros 3 correm em sua defesa, golpeando o agressor com seus cassetetes e um deles chutando-o até que cesse a agressão. No final da fita de vídeo, King, já em vias de ser colocado na viatura policial, embora duramente espancado e algemado, ainda esboça uma última tentativa de agressão.
A totalidade da fita de vídeo foi assistida pelos jurados do tribunal que no começo de julho deste ano absolveram quase que por unanimidade 3 dos 4 policiais envolvidos no incidente e apenas uma rede de TV a cabo dos EUA, num programa de debate sobre o ocorrido, a televisionou completamente.
A ciência destes fatos já nos indica dois pontos importantes: 1) lá como cá, e acreditamos em qualquer lugar do mundo, a imprensa televisionada, em sua busca ávida por sensacionalismo e dispondo de precioso tempo que deve ser vendido a anunciantes com gordas verbas publicitárias, é parcial e imbecil a ponto de não saber interpretar a força do veículo perante as massas, principalmente quando, "inocentemente", mostrou de modo insistente apenas a parte do espancamento do "pobre motorista negro"; 2) após o julgamento dos policiais, assistido de costa a costa dos EUA pela televisão, as grandes redes nem assim se preocuparam em debater em detalhes o ocorrido, mas sim em televisionar as primeiras cenas de tumulto, iniciando uma escalada de etéreas discussões não sobre o fato em si, mas sim sobre racismo e pobreza, sobre direitos das minorias, etc., literalmente "adubando" todo um processo de histeria coletiva, sem dúvida gerado pelas "sementes" anteriores que havia "plantado".
Mas, desta vez a imprensa televisionada dos EUA está pagando um caro preço por sua "inocência" e não adequado manejo do poder de comunicação: após os tumultos de Los Angeles, a maioria dos chefes de polícia norte-americanos determinou novos procedimentos de conduta de policiais quando entrevistados e uma forte corrente já pretende que julgamentos de policiais não possam ser fotografados ou filmados.
Lição nº 1 - Quem não tem competência não deve mesmo se estabelecer, principalmente quando não sabe manejar as "ferramentas" de seu trabalho.
A cidade de Los Angeles tem uma população ao redor de 3,5 milhões de pessoas, a Grande Los Angeles chega a 10 milhões, e cerca de 8.100 policiais, os quais como presumimos são bem treinados, possuem armamento moderno e adequado, mas infelizmente não ganham bons salários. Seu chefe de polícia, discípulo do Prefeito Bradley, e portanto também ferrenho defensor do banimento de armas de fogo em toda a Califórnia, tentou repetidas vezes
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