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Edição 30 - Ano 5 - Setembro/Outubro 1992
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Edição 30 - Ano 5 - Setembro/Outubro 1992

set. de 1992 · 103 páginas

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A edição 30 da Revista Magnum começa com ciência: um artigo sobre o recuo — matematicamente explicado para quem quer entender o fenômeno de verdade. As pistolas Walther finalmente chegam importadas ao Brasil e são testadas com entusiasmo. A Colt All American 2000 aparece como a wondernine do mais famoso fabricante americano. O novo presidente da CBC concede entrevista com muitas novidades para o mercado nacional. O Blade Show 11a edição une o moderno ao clássico na maior mostra de facas dos EUA. Como é feita uma pistola — o nascimento de uma semiauto — responde uma dúvida que muitos têm mas poucos sabem. A carabina 30 M1 é testada nas clássicas e a vida útil dos estojos tem seus mitos desfeitos. Uma edição técnica e apaixonante.

Editorial

LUCIDEZ CONCRETIZADA

Nestas épocas de tantas insanidades brasileiras, neste ano difícil da economia nacional, da ampliação monumental do festival de besteiras que assola o país no tocante a armas de fogo, eis que repentinamente dois fatos emergem em nosso segmento com força total e, felizmente, trazem uma ideia de continuidade e melhoria neles embutida.

O primeiro e mais marcante desses fatos é a concretização da importação de armas de calibres permitidos, com a entrada das pistolas semi-automáticas Walther (veja reportagem nesta edição), de procedência germânica, através da Rossi Imports, de São Leopoldo (RS).

É certo que o processo dessa primeira liberação demorou cerca de 2 (dois) longos anos, mas também é evidente que ela materializou uma antiga promessa dos militares do Brasil Novo. Assim, já podemos antever a liberação de outras boas armas importadas, as quais atualmente encontram-se em fase final de testes, tais como as pistolas argentinas Bersa, as armas Smith & Wesson, etc.

Exatamente neste ponto da explanação, convém deixar bem claro que a postura crítica de Magnum com relação ao exposto no último editorial continua: permanecemos sendo contra os demorados testes e a postura de certos setores do Exército Brasileiro que se negam a adentrar novos tempos de menos burocracia e maior modernidade. Entretanto, e com louvor e prazer, é necessário, em maiúsculas, cumprimentar os militares que contribuíram para essa liberação. Eles, pelo menos a uma parte esclarecida da população brasileira, honraram o compromisso anteriormente assumido pelo ex-ministro do Exército Leonidas Pires Gonçalves.

Por essa razão, e apenas cumprindo nosso trabalho de jornalistas, estamos traduzindo este editorial e o enviando a colegas da imprensa norte-americana do segmento, a essa tradução anexando um exemplar desta edição, esta última atitude sendo já uma praxe há alguns anos.

No rastro dessa primeira, prometida e corajosa atitude de nosso Exército, é certo que o grupo moderno da instituição provou seus pontos de vista, muito mais inteligentes que os dos decrépitos, assim demonstrando um desejo de maior integração com a comunidade nacional dos apreciadores das armas de fogo.

É, pois, agora necessário que não só os cumprimentemos mas nos solidarizemos, tratando, principalmente, de não prestigiar o contrabando, de forma alguma e sob nenhuma hipótese. O corajoso passo que foi dado por esses militares modernos mostra, nas suas entrelinhas, o real indício de que o Exército Brasileiro está atento aos justos direitos de escolha, opção de compra e desejo de consumo dos integrantes de nosso segmento, de que o Brasil deve realmente mostrar reciprocidade comercial também em nossa área.

Ademais disso, e a propósito de algumas cartas que recebemos em decorrência do texto direto do último editorial, as quais temiam por uma interferência do Exército na liberdade de imprensa de Magnum, vamos, novamente, usar as maiúsculas: nunca fomos importunados pela instituição e nem por ela sofremos qualquer tipo de sanção. Assim, cremos firmemente que o Exército Brasileiro é hoje um verdadeiro aliado e defensor da democracia em nosso país, coisa que, certamente, há muito todos esperamos.

Todas estas colocações estão sendo feitas para demonstrar o que julgamos seja a real missão da verdadeira imprensa: informar a verdade. E assim como nos permitiram criticar abertamente, agora é mais do que justo que recebam nosso aplauso. Pelo menos em parte, fomos ouvidos e temos a certeza de estar adentrando o diálogo, este sadio instrumento dos homens, tão raramente usado no Brasil Novo.

O Exército Brasileiro, sabemos por fontes fidedignas, infelizmente ainda não pode contar com a ajuda da maioria dos políticos brasileiros em algumas discussões sobre necessárias alterações no R-105, regulamento de base militar que precisa ser mudado, atualizado e desburocratizado, mas com esta comentada atitude já ganhou a simpatia e recuperou parte da sua imagem perante esclarecida parcela da população nacional, e isto é importante, sumamente importante.

O segundo fato é a real constatação de que nasce uma nova CBC Companhia Brasileira de Cartuchos (veja entrevista com seu novo presidente nesta edição), redimensionada, desperta para os anseios dos consumidores e agora totalmente comprometida com a pesquisa e qualidade de seus produtos.

Ao contrário do que alguns supunham (e temiam), a nova linha de comunicação da empresa não irá atacar o mercado da recarga de munições em nosso país, mas sim com ele se solidarizar, como atualmente o fazem os maiores fabricantes mundiais desse ramo.

Ora, temos que convir, esta é também uma agradável e promissora postura da CBC, a qual deseja apenas uma concorrência ética dos demais integrantes dessa florescente fatia de mercado. E, novamente aqui, invocamos o bom senso dos consumidores para que não prestigiem aqueles que trilham o caminho da ilegalidade.

Nós, os editores de Magnum, aguardamos e lutamos mais de 5 (cinco) anos para que fatos desse tipo começassem a ocorrer e nesse período recebemos adesões importantes, isto justificando nosso insistente pedido, agora feito bem às claras, de que não permitamos que uma minoria de elementos desonestos, comprometidos apenas com interesses pessoais e escusos, arrisquem o pouco, mas importante, que foi conseguido.

Não julgamos, tampouco, que nossa luta tenha terminado, apenas estimamos que 2 (duas) batalhas iniciais foram vencidas pela lucidez, pelo diálogo franco e aberto e na, talvez entendida por muitos como atrevida, condição de porta-vozes do segmento em que automaticamente nos colocamos, entendemos como sendo nossa obrigação chamar-lhes a atenção para esses importantes pontos da necessidade de, também de nossa parte, mostrar uma nova postura.

Foi-nos assegurado que a perseverança e a paciência serão recompensadas e as mesmas fontes já deram os primeiros passos para demonstrar isso. São, é certo, pequenos passos, mas eles demonstram espíritos desarmados, empreendedores que, como nós, têm que lutar contra a discriminação, o mau entendimento e muitas vezes a mais pura imbecilidade de certos setores.

Resta-nos, de certa forma, cobrar também uma nova postura dessas autoridades militares modernas e lúcidas a respeito da importação de munições. Também nessa área o fechamento hermético não leva a nada, sendo quase certo que, caso não se estude esse tipo de importação, ou mesmo a instalação de novos distribuidores ou fabricantes, tenhamos problemas futuros de reciprocidade comercial com países realmente mais liberais.

O segredo de abrir-se o mercado é mesmo apenas o pensamento lúcido, racional, competitivo e que prestigie o poder da geração de empregos e a vinda de novas tecnologias através da iniciativa privada.

Observamos, então, numa análise final, que, até no segmento das armas e munições, existem dois Brasis: o antigo, decrépito, ainda preso ao passado, com infundados receios de modernidade, e outro tentando arrojar-se, pensar mais racional e modernamente objetivando realmente solucionar problemas.

O primeiro Brasil, em velocidade vertiginosa, irá desmoronar-se, levando com ele seus adeptos; o segundo tem a seu favor a lucidez e a coragem de enxergar de frente a realidade dos fatos e das solicitações de um mundo moderno, em verdadeira e veloz transformação.

Julgamos que os dois fatos relatados sejam a concretização da lucidez, do descortinar de uma nova era para o apreciador nacional de armas e munições de forma sadia. Temos, agora, que mostrar nosso desejo de sermos consumidores honestos e que valorizam as conquistas obtidas: temos que prestigiar aqueles que concretizaram sua lucidez.

Índice

Índice da Edição
16
Matematicamente, o Que É Recuo?Magnum Pesquisa
Por Eng. Creso M. ZanottaEntendendo numericamente esse valor
22
O Novo Presidente da CBCEntrevista
Por Os Editores...com muitas novidades!
26
11º Blade ShowCutelaria
Por Laércio GazinhatoA união do moderno com o clássico
38
Pistolas Walther no BrasilTeste
Por José Joaquim D'Andrea MathiasFinalmente, as importadas
46
Colt All American 2000Apresentação
Por Lincoln J. TendlerA "wondernine" do famoso fabricante
50
Travas Químicas AnaeróbicasEspecial
Por Fowler Theodoro BragaAdaptáveis às armas de fogo
54
Modèle 1935 AColeção
Por Dr. Nachman J. GordonA semiautomática francesa da 2ª Guerra Mundial
60
Como É Feita uma PistolaEspecial
Por Lincoln J. TendlerO "nascimento" de uma semiautomática
65
Grendel P-30Teste
Por José Joaquim D'Andrea MathiasMaxi-capacidade em .22 Magnum
70
Conheça Melhor sua Colt GovernamentalEspecial
Por Hélio BarreirosA hora e a vez dos modelos comerciais
75
Carabina 30 M1Testando as Clássicas
Por José Joaquim D'Andrea MathiasA arma longa do oficial norte-americano
78
II Torneio Cone SulTiro Esportivo
Por Luiz A. Horta (Tatai)Campeonato de expoentes
86
Vida Útil dos EstojosEspecial
Por Eng. Creso M. ZanottaAcabando com mitos!

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