Editorial
O PRAZER DE PROIBIR
Enquanto em todo o mundo os aficionados por Armas & Munições parecem iniciar um salutar processo de entendimento com as autoridades que controlam esses itens em seus respectivos países, o mesmo não ocorre na Espanha
País de anterior liberal tradição no tocante a armas e calibres, atualmente encontra-se a Espanha em trâmite de aprovação de um novo regulamento para os Colecionadores e Atiradores. Só que ao contrário do que seria de esperar a nova legislação espanhola é ilógica e idiota, ao invés de moderna e inteligente.
Uma propositura deseja banir (leia com atenção, pois não há erro algum) todas as Armas Longas que tenham “pistol grip”, inclusive as de ar comprimido; outra, quer banir os fuzis automáticos com capacidade superior a 5 tiros e, como uma “chave de ouro”, essas mesmas autoridades nada dizem sobre uma ridícula cláusula (ou parágrafo) da antiga legislação espanhola que não permite facas, ou punhais, de duplo fio e com mais de 11 cm.
Sem qualquer dúvida, estes absurdos são produto de mentes extremamente doentes e autoritárias que absolutamente nada conhecem sobre o assunto. E o engraçado é que isto ocorre certamente como reflexo da recente legislação norte-americana que, em muitos Estados, baniu os fuzis semi-automáticos de aparência militar, exatamente num momento em que o resto do mundo se torna mais liberal para com as Armas de Fogo.
O próprio Gorbatchev da “perestroika” russa tornou-se mais inteligente para com Armas de Fogo em mãos de civis; a ex-Alemanha Oriental adotou leis semelhantes à de sua outra metade capitalista nesse particular; na Itália tramitam novas leis sobre esses itens, isto ocorrendo também na já liberal França. Por último, até o extremamente restrito Japão, onde apenas se permitiam Armas Longas de canos lisos para Caça ou Esporte, estuda a liberação do calibre 7,65 mm Browning. Mas, objetivamente, o que significa para nós, brasileiros, o que está ocorrendo na Espanha?
Significa que existe entre as atuais autoridades de diversos países uma estranha “doença” ligada a Armas de Fogo: a síndrome da proibição. E, filosoficamente que seja, podemos afirmar que também existe um “anticorpo”, qual seja a liberalidade de alguns outros.
O grande índice de votos nulos e ou de abstenção ocorrido nas últimas eleições para governadores dos Estados brasileiros é um claro atestado de que a classe política está em franco declínio no país e isto, certamente, se deve ao fato de que o povo está desiludido com os governantes. Como jornalistas e ex-homens de marketing, podemos afirmar que, além da corrupção, a causa desse estado de coisas é também a causa da “doença” da proibição, a qual, no Brasil, nunca foi devidamente “curada”.
Os antigos governantes brasileiros e todos os seus asseclas sempre tiveram a mania de mandar na vida do povo e nunca o salutar hábito de, pelo menos, travestirem-se como seus dignos representantes. Ao contrário, bastava ascender ao poder para transmutarem-se em pessoas verdadeiramente idiotas e com duas características comuns: ouvidos tapados e bolsos abertos. Realmente, uma vergonha nacional.
Oxalá o mais aparentemente digno governo Collor seja diferente e esperamos que a excepcionalmente boa atitude da abertura de importação venha a trazer novos ares à área de Armas & Munições. Deve, igualmente, ser colocado que as autoridades militares do Exército brasileiro envolvidas no controle desses itens estão dando recentes demonstrações de extremo bom senso e compreensão dos desejos dessa parcela da população.
Entretanto, mais deve ser feito. Muito mais. É necessário que os militares que detêm o poder de controle das Armas de Fogo em nosso país entendam que a síndrome da proibição fatalmente leva à descrença popular e um exército deve, sempre que se julgar inteligente, ter o apoio do povo. E total apoio nunca significou privilegiar poucos.
É dito, por políticos que perderam feio nas últimas eleições, que a síndrome da proibição, enquanto horrível doença social, também propicia um imenso prazer. Atrevem-se a dizer que é uma sensação doce e de poder, e listam tudo o que conseguiram proibir, evidenciando que o problema ainda persiste.
Ao final, constatam que o preço desse comportamento foi alto e que seus próprios descendentes sofrerão as consequências dessas decisões.
É necessário, neste momento em que o Brasil começa a se tornar mais democrático e moderno, que as autoridades compreendam que o caminho não é o da restrição contínua, mas sim o do entendimento, da lógica e do diálogo.
A modificação que hoje tramita na Espanha coloca aquele país em situação questionável perante o mundo moderno. E aqueles que se consideram responsáveis devem evitar que algo semelhante ocorra no Brasil.
O governo atual é percebido como moderno e com capacidade de avanço, não sendo adequado que seja limitado por visões antigas baseadas na proibição.
A pesquisa nacional Magnum demonstrou que seus leitores pertencem majoritariamente a classes sociais com maior acesso à informação, o que reforça a importância de decisões coerentes e fundamentadas.
Fica evidente que políticas baseadas apenas na proibição tendem a gerar efeitos contrários, como aumento do contrabando, perda de arrecadação e percepção internacional negativa.
Autoridades anteriores que adotaram esse caminho acabaram reconhecendo seus erros.
Novas autoridades devem evitar repetir esse padrão e adotar o diálogo como principal instrumento. Este é o posicionamento apresentado pelos editores de Magnum.
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