LogoLogo
Edição 21 - Ano 4 - Setembro/Outubro 1990
REGULAR21

Edição 21 - Ano 4 - Setembro/Outubro 1990

set. de 1990 · 100 páginas

🔒 Assinatura ou acesso avulso por 30 dias

A edição 21 da Revista Magnum acompanha o primeiro Campeonato Mundial de Tiro Olímpico realizado na América do Sul — um evento histórico que o Brasil sediou com orgulho. As pistolas SIG Sauer passam pelo banco de testes, mostrando a combinação perfeita de técnica alemã e precisão suíça que fez da marca uma referência mundial. A submetralhadora URU — 100% nacional — passa pelo banco de testes com o patriotismo que todo atirador brasileiro sente ao ver uma arma produzida aqui. O Colt Lightning é apresentado nas clássicas como o primeiro revólver DA da Colt. Mulheres atirando e surpreendendo é o tema de um artigo que celebra a crescente participação feminina no esporte. E um comparativo definitivo entre o .45 ACP e o 9mm fecha a edição com técnica e emoção.

Editorial

Os verdadeiros culpados

Nestas épocas de eleições, movimentos totalmente espúrios, principalmente por parte de políticos (a maioria dos quais primaram por mandatos de absurdo e absoluto imobilismo), pseudoentendedores de armas e sua aplicação tática, jornalistas malformados nas faculdades brasileiras de Comunicação da atualidade (as quais, infelizmente, grassam em cada esquina do País) e outros elementos claramente malintencionados conseguem sensibilizar aquela (grande) parcela desinformada da população, tradicionalmente composta por sacerdotes que se creem politizados, beatas, inocentes úteis e outros que nunca têm posição própria, então, inocentes úteis.

Assim, o que eram inicialmente apenas ilusões paranóicas de um grupelho desonesto até para consigo mesmo, por um fenômeno de Comunicação típico de países com baixo índice cultural como o Brasil e através da incansável repetição, acabam por se multiplicar, tornandose uma “verdade irrefutável”.

Quanto ao uso indiscriminado de armas, propomos a mudança de legislação em alguns pontos: a) anular todos os portes de armas, não se permitindo o uso de armas a nenhum cidadão, sob pena de prisão em flagrante; b) proibir o uso de armas à malpreparada Polícia Civil e também à ainda pior treinada Polícia Militar, criando, em contrapartida, uma Polícia de Elite (mas de elite mesmo), e somente esta quando acionada poderia fazer uso das armas; c) as armas de grosso calibre, tipo metralhadoras, bazucas e tantas outras que se afirma estarem em poder das quadrilhas, teriam o controle exclusivo do Exército, com autoridade no campo das investigações (uma função proveitosa para o Exército); d) a possibilidade de entidades representativas da sociedade civil interferirem no processo de treinamento da PM, tendo acesso às informações quanto ao tipo de orientação que recebem nossos policiais, para que se amplie a discussão a respeito e possa haver sugestões e colaborações, para que a PM seja somente destinada à segurança e bem-estar da sociedade.

Por mais absurdo que isso possa parecer, órgãos de imprensa então considerados até de 1º linha cedem seus espaços para esses verdadeiros arautos da covardia e da desídia, criando um verdadeiro (sem aspas) movimento, senão uma escola, contra as armas, objetivando sem sombra de dúvidas desarmar o cidadão honesto e, mais ainda, as forças policiais, o que certamente culminaria, fatalmente, devemos dizer, com a entrega total e irrestrita do País à marginalia.

O que Você lê na porção central desta página, por mais ignóbil e distorcido que pareça, foi publicado pelo prestigioso diário paulistano “Jornal da Tarde”, edição do dia 21/07/90, pág. 2 Caderno de Sábado, e embora nos cause verdadeira repulsa reproduzir essa notícia, o fazemos, pinçando apenas a mais descabida porção de um pretenso debate sobre a violência.

Deixamos de nominar o claramente tendencioso “autor” desta aberração para não promovermos semelhante criatura.

Como se não bastasse, também grandes redes televisivas, através de repórteres sensacionalistas e aparentemente a soldo da anarquia, contribuem para esse aumento da desinformação, da subversão de valores, onde se quer negar ao cidadão honesto seu direito mais comezinho, que é o da Defesa Pessoal e do lar. E ainda vão mais longe: pretendem desarmar forças legalmente constituídas para a defesa da Sociedade, esta mesma que os abriga e, bem ou mal, ainda os protege. É uma burrice.

Não seguindo os exemplos de profissionais da mídia eletrônica já reconhecidos pelo grande público como honestos e essencialmente informativos (cujos nomes não podemos omitir: Goulart de Andrade, programa “Comando da Madrugada”, SBT, sábados de madrugada; Jô Soares, “Jô Onze e Meia”, também SBT, terças a sextas; Hélio Ansaldo, “Record em Notícias”, Rede Record, diariamente, meio-dia), estes “jornalistas” tentam “trampolinar-se” à graus elevados aos quais não ascenderiam em épocas normais.

O País sofre, então, uma onda progressiva que atinge nossos representantes nas casas do Congresso, dando margem a que se promovam verdadeiras nulidades políticas que tão somente possuem o objetivo de enganar o já sofrido eleitorado brasileiro.

São descabidas propostas (algumas até tramitando na forma de projetos de lei contra o cidadão honesto), interpretações desfocadas da realidade, as quais visam desarmar a população e até o poder policial, ao passo que o verdadeiro problema reside na brandura da Lei para com os marginais. Que lógica existe em associar violência com o povo trabalhador e não com os bandidos? Que lógica há em aliar somente as armas em mãos de cidadãos honestos com a violência?

Os controles ora propostos por todos esses verdadeiros inimigos da Sociedade somente aviltam os indivíduos honestos, ou seja, a grande maioria da população que lê jornal, assiste televisão, vota, propicia empregos, etc., enfim realmente contribui para o aperfeiçoamento social. Existiria alguma lógica em penalizar esta parcela maior?

A megalópole carioca assiste, verdadeiramente estarrecida e impotente, a uma das maiores escaladas mundiais da violência, justamente num Estado em que o porte de arma é o mais absurdamente controlado do País (neste ano, apenas 33 concedidos até agora), enquanto os marginais locais afrontam a Sociedade e as autoridades com o que de mais moderno e sofisticado existe em armamento. Este irresponsável controle das armas honestas faz com que a balança, mais uma vez, penda para os bandidos.

A nefanda experiência do Rio de Janeiro, sem dúvida fruto de uma política demagógica desenvolvida por mentes caudilhescas, culminou por deixar desmoralizadas a polícia e a Sociedade como um todo, apenas servindo para comprovar definitivamente que medidas irreais de desarmamento da população honesta e desvalorização das carreiras policiais somente servem para deixar o marginal livre para execução de suas covardes e brutais ações.

Recentemente, como se ainda não bastasse tudo isso, a Polícia Fazendária de São Paulo simplesmente passou por cima do Exército brasileiro, detendo o Colecionador (devidamente registrado e com suas armas atualizadas) paulistano César Augusto de Toledo César, solicitando-lhe a nota fiscal, ou o documento de importação, de cada arma devidamente cadastrada, inclusive daquelas adquiridas em licitações do próprio Exército e restritas somente aos devidamente autorizados. Ao Colecionador em questão atribui-se, com o auxílio da nefanda imprensa nanica, a pecha de contrabandista.

Quer dizer: a Polícia Federal, órgão a que pertence a Polícia Fazendária, inovou, interpretando a legislação dos Colecionadores a seu bel prazer. Deve ser especialmente notado que essa mesma polícia, que até então havia primado por sua ilibada condução para com os verdadeiros contrabandistas, pede o apoio da Revista MAGNUM na divulgação de provas esportivas de tiro que ocorrerão em sua academia de Brasília.

Diante de um quadro tão absurdamente caótico de inversão de valores e quebra da lógica mais elementar, formadores de opinião, políticos e governantes devem urgentemente repensar medidas restritivas e coercitivas contra cidadãos e contra as próprias autoridades policiais e, mirando-se em exemplos recentes (tais como o do Japão, Itália e França, onde liberou-se de forma geral armas nos mais diversos calibres e tipos para os comprovadamente honestos), estudar no Brasil medidas similares.

Em nosso país, ao longo de décadas, medidas ilogicamente restritivas contra armas honestas não deram certo. Por que não buscar na liberdade com responsabilidade um novo caminho? Urge que se faça ouvir a voz dos verdadeiros especialistas em armas, segurança e defesa, porque, senão, os verdadeiros culpados por esse estranho estado de coisas continuarão impunes. E, o que é pior, fazendo escola. Não desperdice mais uma vez seu voto.

Índice

Índice da Edição
20
Casull "Field Grade"Apresentação
Por Laércio GazinhatoPoder acessível
24
Um Dia com a Polícia de Los AngelesEspecial
Por Lincoln J. TendlerTreinamento policial nos EUA
32
Colt LightningColeção
Por Laércio GazinhatoO 1º revólver D.A. da Colt
40
Submetralhadora SuomiTestando as Clássicas
Por Aurélio M.G. de Abreu e Laércio GazinhatoRobustez e precisão da Finlândia
46
Taurus VelodogMagnum Pesquisa
Por Aurélio M.G. de Abreu e Laércio GazinhatoUm robusto quase desconhecido
50
Submetralhadora URUTeste
Por Ronaldo Olive100% nacional
58
Pistolas Sig SauerTeste
Por Armando A. Ayres NettoTécnica alemã e precisão suíça
66
.45 ACP × 9mm P... AtirandoTeste
Por Lincoln J. Tendler e Neylton T.S. MatosUma disputa no estande
75
Atirando de Novo com o Taurus 889Teste
Por Aurélio M.G. de Abreu e Lincoln J. TendlerA nova visão
77
Campeonato Mundial de Tiro OlímpicoEspecial
Por Alejandro StisinPela 1ª vez na América do Sul
80
Mulheres... AtirandoTestando as Clássicas
Por Neylton T.S. Matos...e surpreendendo

Acesse esta edição

Assine e acesse esta e outras 206 edições. Ou compre apenas esta edição por 30 dias.

Outras Edições

Continue explorando o acervo