Editorial
Nossa Conquista
Nestes tempos de tão raras boas notícias, acreditamos que seja salutar dividir com os leitores um pouco de nossa alegria e paz de espírito, ao termos de com esta edição da Revista Magnum saber que a parte mais dura de nosso trabalho como Editores neste país de tão pequenos índices foi concluída.
Idiotamente, e visando granjear imediata simpatia por parte dos senhores, poderíamos simplesmente dizer que esta "vitória não seria conseguida sem sua ajuda, entendimento, etc.". Mas, seria muita demagogia, embora ela esteja em moda outra vez. Além disso, seria tratá-los de forma errada, ou subestimá-los. Mas, neste ano e pouco que se passou da distante 1ª edição de Magnum, ocorreram mudanças comportamentais e a descoberta de novas facetas neste fascinante mundo das armas no Brasil.
Nesse período, em nosso trabalho, foram muitas discussões, alicerçamento de pontos de vista, intuição de outros, algumas doses de arrojo às vezes acertadas e às vezes apenas produto de nossa visão ideal do que gostaríamos fosse o panorama brasileiro das Armas Leves, muitas brigas boas e outras para as quais nos empurraram, mas que ao final constatamos que não valiam a pena, dado o valor do que seria obtido.
Sem dúvida, a maior conquista de Magnum nesse período foi o espaço editorial que ela ocupou, este sim um justo motivo de orgulho para nós e que verdadeiramente fazemos questão, neste momento, de reparti-lo, meio a meio, com Vocês, leitores. Só para se ter uma ideia da dimensão dessa conquista, basta dizer que nossa tiragem hoje superior em algo aos 70.000 exemplares é uma das maiores dentre as revistas técnicas do Brasil, só perdendo para aquelas de assuntos mais genéricos, acessíveis e não tão delicados como armas, tais como as de vídeo, culinária e outros quetais. Por transposição de dimensões territoriais e números populacionais, podemos dizer que essa conquista assume proporções latino-americanas e não apenas brasileiras.
E, o que se descobriu nesse panorama, nesse curto espaço de tempo? Descobriu-se que temos nós e Vocês nosso espaço físico verdadeiro, e espantosamente comprovou-se que ele é grande, poderoso, de grande calibre e com um grande "stopping power" para ideias demodés em se tratando de armas e seu uso consciente. Descobrimos, particularmente, que podemos sobreviver através de uma revista de armas, que ninguém pense que estamos ficando ricos, e também gerar empregos, divulgar ideias e novas posturas, quebrando antigos tabus, participando de "lobbys" políticos e, muito mais importante do que isso, formar novos interessados, novos aprendizes e apreciadores desses fascinantes objetos mecânicos.
Para nós editores, o mais fascinante, além dos crescentes números de novos leitores a cada nova edição de Magnum, foi o "aparecimento" de colaboradores, pois assim tivemos uma imprensa técnica realmente participativa por parte dos leitores, descobrimos talentos e esta é a parte mais saborosa de nosso trabalho, tendo a certeza de estar fazendo uma revista nacional, com opiniões e visões dos quatro cantos deste imenso e ainda amado Brasil.
A crença dos anunciantes no produto Magnum é sem dúvida fato animador, pois através das inserções publicitárias é que a revista torna-se concreta, com todo o seu poder e suas conquistas. Comercialmente, em termos de retorno para esses anunciantes, temos certeza de que também cumprimos nosso papel de bom e dirigido veículo publicitário.
Mas, nesse período, algumas verdades que vieram à tona, mais exatamente em nossa "ilha editorial", nos entristeceram sobremaneira e, enquanto fatos constrangedores que sejam, devem também ser levados ao conhecimento dos senhores, sempre com o intuito de que no futuro possamos juntos talvez evitá-los, ou mesmo impedir que eles se formem.
O mais gritante desses fatos vem exatamente daquele que se diz "o verdadeiro socialista", o ex-governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, o qual, já nos derradeiros meses de seu controvertido mandato, assinou não sabemos lá por que cargas d'água, ou talvez de outra matéria não tão natural, mas certamente nauseabunda, uma lei estadual proibindo que revistas de armas fossem vendidas em seu Estado. Assim, a Magnum que chega aos leitores cariocas está sendo obrigada a ter sua capa vedada, como as chamadas revistas pornográficas. Aliás, elas seriam mesmo pornográficas no verdadeiro sentido da palavra, ou pornográfica é a mente que assim as quer ver?
Este mesmo senhor sugere, não muito sutilmente, é claro, que pretende ser o Presidente do Brasil em anos futuros. A julgar por essa atitude particular, que nos fere frontalmente na liberdade de termos um veículo específico de nosso hobby, podemos já intuir o que seria um seu governo.
Finalizando nosso "rosário de lamentações", temos o caso do Ministro Brossard que teria instruído o Dr. Romeu Tuma, Diretor-Geral da Polícia Federal, para cancelar a emissão de portes de armas a partir de um determinado momento e, ao mesmo tempo, invalidar os já concedidos. Além disso, algumas "brigas" dentro do Esporte do Tiro nos entristecem, não por elas em si, mas porque os opositores não entendem que se dividem. Maquiavel, há muito, muito tempo já dizia: "Dividir para melhor governar".
Mas, nossos filhos e outros descendentes ainda vêm aí e, um dia, serão adultos. Resta-nos prepará-los para que eles saibam melhor escolher suas próprias "classes políticas".
Esta Magnum de aniversário traz em seu bojo certezas boas e más, como sempre é a realidade. Apenas não podemos nos furtar de enxergá-la de frente. Por isso, tivemos o cuidado de escolher um motivo de capa condizente com o que se avizinha para nossa Revista, desde que ela tenha apoio dos leitores: um projeto que se transformou num poderoso projétil contra a Moderna Inquisição que se faz com as armas no Brasil. Este projétil já foi deflagrado e, após atingir seu objetivo, caminhará para o futuro!
Os Editores
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