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Edição 07 - Ano 2 - Setembro 1987
REGULAR7

Edição 07 - Ano 2 - Setembro 1987

set. de 1987 · 68 páginas

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A edição 7 da Revista Magnum apresenta um dos momentos mais aguardados pelos atiradores brasileiros: surge a .45 brasileira! A pistola Imbel TP passa pelo banco de testes como a resposta nacional ao calibre preferido dos americanos. As lunetas ganham um especial completo sobre nitidez e precisão — tudo que você precisa saber para escolher a melhor. O modelo Calico M-100 em .22 LR aponta o caminho para o futuro das armas semiautomáticas de grande capacidade. As facas de Padilha revelam a paciente arte da cutelaria artesanal nacional. Um artigo essencial sobre o que saber antes de adquirir uma arma vai ajudar muitos compradores de primeira viagem. O Colt de ação simples é apresentado nas clássicas como o curto clássico do Oeste. Uma edição que combina novidade, técnica e orientação prática.

Editorial

ARMAS POLÍTICAS

Impõem-se Modificações! Exatamente, até com "M" maiúsculo! Analisando o contido na "nova" Constituição brasileira, mesmo sob os mais benévolos olhos e concessões, nota-se uma repetição do passado, apenas com nova linguagem, no tocante às Armas de Fogo. Em síntese, elas continuam sendo marginalizadas, não entendidas e até malditas, em ambos os sentidos, amaldiçoadas e mal vistas!

Diversas vezes antes da confecção deste Editorial, nos fizemos a pergunta "A quem isto, este estado de coisas, poderá, realmente, interessar?". As várias respostas que nos surgiram apontavam uma única classe de interessados no veto às Armas de Fogo: os "políticos". Por favor, leitor, note bem que o termo está entre aspas e com a primeira letra em minúscula, pois não entendemos que estes "políticos" sejam os verdadeiros, na acepção da palavra.

Mas, como isto pode interessar a estes "políticos"? E certamente esta é a pergunta que, agora, estão os senhores formulando, não é?

A resposta é muito simples e calhorda ao mesmo tempo! Numa republiqueta (que ninguém pense que estamos assim chamando o Brasil, quem pensa que o País é isso são eles, os "políticos" mencionados!) os Poderes criam dificuldades para, através de maquinações mil, venderem "facilidades".

Tais manobras, se é que assim podem ser chamadas, destinam-se a extorquir dinheiro, troca de favores, a manutenção de custosos "lobbys" políticos às empresas de determinadas áreas e, o quanto maiores forem as dificuldades apresentadas em projetos, falsas bandeiras em favor da Segurança do cidadão, da formação do caráter dos jovens, etc., maior será o preço das "facilidades" apregoadas por esses "políticos".

Enquanto temos certeza de que nosso país não pode atualmente, por mais que se queira, ser diminuído àquela vergonhosa condição mencionada, mesmo com todos os problemas econômicos e financeiros que ele apresenta, temos também certeza sobre certas características verdadeiramente abjetas por que passam as Armas de Fogo, diferentemente de qualquer país do mundo.

Não, senhores, não queremos a Suíça! Somos povo e, como tal, nós entendemos perfeitamente nossa condição cultural diferenciada. Mas, tampouco somos o Camboja! Nossa herança cultural, de povo, é de ordem média, talvez comparável a uma mescla real de italianos, espanhóis, portugueses, alemães, etc.

Se isto não for rapidamente entendido por esses "políticos" e por aqueles sem as aspas, também velozmente nós, o Povo Brasileiro, não iremos fazer nenhuma questão de entendê-los e aí... aí, certamente, vamos perder nossa condição democrática, como Vocês já devem estar percebendo...

O senhor, "politicão da gema", porventura leitor destas linhas, deve estar rindo de nós, não é? "Ah! Esses 'meninos' tão sonhadores..." Vamos, pense a sua verdade: "A Revista Magnum passa e a 'política' fica! Afinal, assim tem sido...". Por todo o Brasil, campeiam os "defensores" da Segurança do Povo que veem nas Armas da população a origem de tudo, desde o problema social até a violência... Ora, tenham vergonha na cara! O que significa isto? Melhor posicionar-se junto à população para futuros pleitos? Ter "ibope" na Comunidade? Aparecer? Ou simplesmente ser bobo da Corte?

Vocês sabem por que, percentualmente, na América do Norte existe menos violência? Não, não é só por maior cultura, melhores salários, melhores esquemas de segurança... É porque os marginais sabem que considerável parcela da população porta Armas de Fogo, outra considerável parte as tem em casa, parte dos adolescentes já é habituada, medianamente, a manejar uma Arma de Fogo, etc.

Assim, até o mais idiota dos bandidos não arrisca muito, pois pode encontrar condições iguais ou melhores de intimidação do que as que ele possui.

Sabemos que o senhor "político" está, pelo menos temporariamente, imune à violência que ocorre com a maioria do Povo, pois dispõe de guarda-costas, raramente anda nas ruas e avenidas a pé, o motorista é que vai buscar os filhos em colégios finos e em locais policiados... Sabemos de tudo isto, mas o senhor reparou que é temporário, se não pelo tempo de seu mandato, pela própria escalada da violência? Note bem, o número de sequestros de pessoas ricas e bem colocadas está aumentando... O Povo brasileiro já tem pouco o que oferecer aos bandidos...

Veja um outro ângulo da questão e, mesquinhamente, não se amedronte antecipadamente, senhor "político".

Somos lidos por pessoas importantes e poderosas em todos os segmentos que são também eleitores. Ao longo de algumas edições já deu para percebermos que eles confiam em nós, no nosso trabalho e, acima de tudo, creem naquilo que defendemos, pois a deles é a mesma postura pró-Armas que temos: um uso consciente, salutar, desmistificador e evolutivo.

A Grande Imprensa já os questiona o suficiente em aspectos mais importantes de vosso trabalho. Não gostaríamos de atormentar-lhes com o que julgamos até simples: uma digna legislação brasileira que entenda as Armas de Fogo dentro do nível de seu povo!

Uma "guerra" nesta altura dos acontecimentos nacionais e dentro da concepção que o Povo brasileiro está começando a formular sobre Política, só terá um perdedor... o verdadeiro político (aquele sem as aspas).

Se Você é um político, julga que entende seu povo, gosta de preservar seus eleitores e deseja realmente que seu filho entenda as Armas de Fogo como o que elas são realmente, junte-se a nós! A hora é esta... muito precisa ser modificado. Quanto mais demorar, pior será para todos nós, no futuro!

Da Constituinte Para Os Leitores: O Deputado Roberto Jefferson (PTB-Rio), com sua assessoria sempre atenta e ele próprio um apaixonado por Armas e pelo direito dos justos, envia-nos interessante propositura de emenda à nossa nova Constituição (protocolada sob o número IP 06772-3), a qual trata de adicionar ao Art. 12 uma alínea ("J") no inciso I, com o seguinte teor: "J) É indissociável do direito à integridade física e mental o relativo à segurança pessoal e autodefesa." (o grifo é nosso).

A justificativa do prezado Constituinte para a propositura dessa emenda é por si só claríssima e está apoiada em algo que transcende qualquer Constituição:

"O Art. 3º da Declaração Universal dos Direitos do Homem diz: 'Todo homem tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal' (o grifo não é do texto original). O Art. 153 da atual Constituição reproduz o Art. 3º da Declaração mas menciona apenas 'segurança' de forma incompleta.

Apesar de toda a ineficiência da polícia, do emperramento do Poder Judiciário, apenas no chamado triângulo das Bermudas, 170.000 mandados de prisão esperam espaço nas penitenciárias para serem cumpridos. São 60.000 no Rio de Janeiro, 70.000 em São Paulo e 40.000 em Belo Horizonte. É a mesma impunidade para a qual alerta o Procurador Geral da República, em entrevista ao jornal O Globo de 08/05/87. Se cada um dos 170.000 impunes aliciar, por seu exemplo, pelo menos mais dois delinquentes, teremos no Centro-Sul o contingente de 500.000 assassinos, assaltantes e estupradores em ação ampla com potencialidades para assumir posição ainda mais catastrófica que a atual, cuja delinquência jamais será contida pelos poucos milhares de policiais existentes na região, ainda que venham a ser reciclados e reequipados. É um número assombroso de bandidos, igual a duas vezes e meia o efetivo de nossas Forças Armadas. Nem mesmo em 20 anos teremos construído vagas carcerárias para recolher essa caterva, apenas, repetimos, no Rio, São Paulo e Belo Horizonte, sem mencionar o resto do País. É preciso, pois, preservar o direito do cidadão à segurança pessoal e à autodefesa que, apoiada pela segurança pública, é a única forma de viabilizar a redução da violência."

Lembramos aos leitores e principalmente aos outros Constituintes que irão votar a favor ou contra esta importante emenda que também agora aqueles bandidos já encarcerados têm acesso a armas e munições, pelo menos em um estabelecimento penal de São Paulo, haja vista o recente motim ocorrido e conforme declarado pelas próprias autoridades paulistas.

Os Editores

Índice

Índice da Edição
12
Arcos de CompetiçãoEspecial
Por Renato Dutra e Mello EmilioEspecial para iniciantes.
18
Calico M-100: .22 LR a Caminho do FuturoApresentação
Por Laércio Gazinhato
22
Facas de PadilhaCutelaria
Por Silvio J. TarettoA paciente arte.
26
Antes de Adquirir a Arma...Especial
Por Mauro de Castro PellegriniSaiba tudo!
30
Lunetas: Nitidez & PrecisãoEspecial
Por Corina de Assis
34
Imbel TP: Surge a .45 Brasileira!Teste
Por Armando A. Ayres Netto
42
Colt de Ação SimplesColeção
Por Laércio GazinhatoO curto clássico do Oeste.
50
.45 ACPRecarga de Munições
Por José Joaquim D'Andrea MathiasRecarregando o tiro prático.
54
Ruger P-85, a Mais Nova DA em 9mmApresentação
Por Os Editores

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