Editorial
MEDO, ao ver seu filho com uma arma?!!
Pai que educa para a libertação, não teme as decisões do filho. Não teme os caminhos que este decida seguir e, até mesmo, a escolha de seus hábitos, por mais que pareçam exóticos às "verdades" estabelecidas.
O contrário conduz, certamente, a opções que nunca são as do filho, mas as planejadas sob a obscura silhueta de um futuro promissor e arraigadas a um patriarcalismo que, se não cortado a tempo, sufoca e mata.
A autoridade de Pai não se perde. Ela se dilui e, naturalmente, se transformaria em respeito, se a educação primasse por isto e se conduzisse em bases humanas.
Proibições, vetos, sanções, manifestações de austero poder representam, apenas, dolorosas e irresponsáveis chicotadas de quem teme não ser ouvido, e insiste em fazê-lo pela força. Valer-se disto, é privar qualquer indivíduo do livre arbítrio, e do diálogo urgente e necessário.
Recria-se, pelos mesmos velhos caminhos, o ciclo: regras mal explicadas, desobediência, repreensão. Por que não romper este ciclo vicioso, impedindo que nele se enxerte explicações, opções, decretos, cada vez mais ilógicos e absurdos, tentando justificá-lo?
Autoritarismo não se justifica. Se evita. E os filhos deste PAI poderão se orgulhar, caso consigam estabelecer um diálogo que rompa com este parricídio, e os acorde para sua responsabilidade civil.
Isto implica na reavaliação de certas heranças culturais, as quais têm obstruído qualquer diálogo, fazendo dele um monólogo dogmático e sem nexo. É preciso se lançar por terra os folclores impostos ao terceiro mundo, e a massificação cultural que em nada primam pela visão clara de uma República, realmente, nova.
No tocante às questões de violência e consequente agravamento dos índices de segurança em nossas cidades, as quais normalmente esbarram nos objetivos claros de informação, lazer e cultura desta publicação, entendemos que armas é que não matam pessoas. Mas, pessoas matam pessoas, e em todos os níveis. Sendo diversos os instrumentos desta morte.
Evidente que o porte de uma arma não significa "sair dando tiro" por aí, como poderiam pensar alguns. Se consultarmos um atirador consciente e devidamente treinado, constataremos que ele não precisaria mais do que uma bala.
Já que, normalmente, só sacaria da arma em caso extremo de defesa, utilizando, nesta ocasião, apenas um projétil. Será que certos policiais, em nome da manutenção da ordem, possuem esta mesma consciência e preparo? Nossa população sabe, se sim ou não.
Estatísticas norte americanas indicam que os estados optantes do veto total ou parcial ao porte de armas, através de diversas leis, tiveram seus índices de criminalidade bruscamente aumentados. Culturas diferentes, é claro. No entanto, o ser humano é razoavelmente semelhante em toda parte.
Infelizmente, constata-se através de recente lei aprovada em desenvolvido estado brasileiro que o parricídio tem garras profundas, e o cidadão ainda é tratado como irresponsável.
Pretensos legisladores e executivos, notadamente ótimos homens de marketing, e a eles esta revista está aberta, consideram um simples "hobby", tratado em veículo de informação séria e explícita, como pornográfico, obsceno e coisas do gênero. Um lamentável equívoco.
Lembramos apenas que tais leis, vetos e qualquer censura ilógica no campo da ciência, filosofia, religião e cultura, impedindo a informação, só agravará a busca, e deixará claro o despreparo de um país que se diz nação.
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