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Edição 03 - Ano 1 - Dezembro 1986
REGULAR3

Edição 03 - Ano 1 - Dezembro 1986

dez. de 1986 · 68 páginas

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A edição 3 da Revista Magnum chega com um cardápio irresistível: a submetralhadora brasileira MT-12 é testada pela primeira vez, mostrando o que a indústria nacional era capaz de produzir. Os revólveres nacionais em .357 Magnum também passam pelo banco de testes num comparativo que vai orientar qualquer comprador exigente. A nova pistola da Taurus é revelada com exclusividade nas páginas da Magnum. O confronto Colt versus Beretta nos testes mostra como as semiautos modernas se comparam. As famosas facas Smith e Wesson aparecem num especial de qualidade. E o rifle Weatherby — o Rolls Royce dos rifles — é apresentado para quem busca o que há de mais refinado nas armas longas. Uma edição que foi um marco na história da publicação.

Editorial

Meu filho:

Ao receber esta carta, a lembrança de minha morte já estará distante na mente de todos que me amaram. Você, particularmente, deverá estar um homem feito, já com a personalidade formada, e acredito bastante maduro para entender e apreciar o presente que lhe deixo.

O que vou lhe contar nem sua mãe, que espero Deus tenha mantido viva para continuar a educação que propus a Você e sua irmã, sabe: cavando a terra a cerca de 80 cm. de profundidade no pé do carvalho no quintal de nossa casa, exatamente em direção da janela da cozinha, Você irá encontrar uma caixa plástica totalmente vedada, abra-a e irá ver um embrulho também de plástico; nesse invólucro, encontrará minha pistola Colt Woodsman, lubrificada, com farta munição de diversos tipos, acessórios e o manual de instruções. Ela é sua, é meu presente de aniversário para Você!

Faça segredo de sua posse, mesmo entre seus amigos mais chegados e parentes, a menos que a situação de nosso país tenha mudado, o que ardentemente espero que já tenha ocorrido.

A justificativa para essa minha atitude, filho, pode ser entendida pelo conhecimento de alguns fatos que vou narrar-lhe. Se dependesse de minha vontade, eu teria feito como meu pai fez comigo, ao chegar aos 12 ou 13 anos, Você começaria a praticar tiro ao alvo sob a minha supervisão e aos poucos iria, talvez, cultivar a mesma paixão que sempre tive por armas de fogo. Mas, o que se passou impediu isto, tanto por desígnio de Deus, com minha prematura morte, como por determinação de nossos governantes. A vontade de Deus tenho que entender, mas não consigo explicação lógica para o total banimento de armas de fogo que ocorreu em nosso país nos últimos anos de minha vida.

Em 1987, uma lei projetada um ano antes foi votada e aprovada, após sucessivos adiamentos. Essa lei, aparentemente inócua, uma vez que apenas propunha mais controle e maiores restrições à compra de armas de fogo e seu porte, geraria uma série de outras que acabaram por transformar isso em um gravíssimo crime. Tudo isto apenas no espaço de pouco mais de 10 anos.

As leis que se seguiram desesperaram todos os tipos de civis que apreciavam armas, como eu. Inicialmente, suspenderam-se os portes de armas; depois, cassaram-se os registros e confiscaram as armas de defesa e esportivas, inclusive as de coleção, os clubes e associações foram proibidos de manter estandes de tiro e ou promover qualquer outra modalidade esportiva de uso de armas; as fábricas foram proibidas de vender armas de fogo no mercado interno; proibiu-se toda e qualquer modalidade de caça sem prévia autorização. Logo em seguida, os governantes através de uma bem estudada manobra conseguiram convencer os poucos caçadores que restaram a entregar os ferrolhos e ou outras pequenas partes indispensáveis de suas armas para guardar num estabelecimento oficial, às quais a cada estação de caça lhes seriam entregues e deveriam, uma vez finda a temporada, serem novamente depositadas no organismo controlador. Finalmente, entre uma temporada de caça e outra, tais partes vitais das armas, por uma nova lei, não foram mais entregues aos caçadores.

Formaram-se milícias e outros grupos policiais específicos para a apreensão das pouquíssimas armas de fogo ainda em poder de civis, com batidas em residências de pessoas, com o intuito de capturar esses objetos. Chegou-se num determinado momento até a oferecer um prêmio em dinheiro para quem denunciasse a posse ou o porte de armas.

Foi exatamente quando soube desta notícia, Você estava, nessa época, com 8 anos de idade e com sua curiosidade de criança já "encompridava" os olhos para algumas armas que eu tinha conseguido manter graças a meus contatos e ao meu sigilo, que decidi esconder a Woodsman que me tinha sido dada por seu avô e com a qual eu tinha aprendido a atirar.

Enquanto essas leis operavam seus efeitos na camada honesta da população, que a tudo assistia passivamente, como zumbis, dado o trabalho psicológico que se lhes tinha aplicado, os marginais atreviam-se cada vez mais. Havíamos chegado ao absurdo de presenciar rotineiramente cenas de assaltos a bancos e empresas com bandidos armados de bombas caseiras, ameaçando detoná-las caso não lhes fosse entregue dinheiro ou outros valores. O número de mortes por facas, estiletes e porretes, em decorrência de assaltos, aumentou tremendamente. Agora, quem tinha uma arma e maus propósitos era visto como um rei por outros marginais.

Assim, formaram-se grandes bandos de "punks", anteriormente apenas elementos jovens, rebeldes e contestatórios da sociedade, armados de cintos feitos com correntes e que se juntavam a assaltantes. Violar a lei, até na sua mais simples forma, virou um modismo.

Os sacerdotes, numa errônea, antiga e presunçosa busca de preservação do que chamavam de direitos humanos dos bandidos, não entendiam essas mudanças gerais de comportamento e continuavam a insistir nessa tecla, tendo cada vez mais o apoio dos governantes, temerosos de seu poder junto às camadas mais pobres da população.

Os órgãos policiais assistiam a um desolador abandono dos elementos de valor de suas fileiras e o exército brasileiro estava tentando formar uma guarda nacional para defender o domínio das ruas. Para os honestos, viver em paz tornou-se um pesadelo; eram ridicularizados em sua crença das leis e muitos deles foram obrigados, muitas vezes, a comportarem-se como carneiros para preservarem suas vidas e a de seus familiares, bem como suas propriedades e valores.

Aqueles que podiam deixavam as grandes cidades. Havia um verdadeiro êxodo das classes mais abastadas para o campo, no qual também já não havia mais segurança no sentido puro da palavra, embora lá a violência fosse menor. Transitar e habitar uma grande cidade, mesmo durante o dia, era perigosíssimo. As metrópoles não possuíam mais vida noturna.

Exatamente neste ponto, fui preso, denunciado talvez por algum vizinho ou conhecido. O processo foi sumário e espantosamente rápido. Há muito o crime de possuir e ou portar armas não era afiançável. Os advogados apegaram-se ao fato de que eu nunca havia cometido anteriormente crime algum e conseguiram minimizar bastante minha pena, mas em compensação eu perdi definitivamente a confiança em nossos governantes. Injustamente preso, minha mente transtornou-se, o que agravou muito meu problema de saúde.

Sei que está próximo o dia de deixar definitivamente minha família e, então, decidi pedir à sua mãe que fizesse todo o possível para manter em sua posse a casa e ao mesmo tempo escrever esta carta, apenas instruindo os advogados para que a entreguem a Você hoje, no dia do seu 30. aniversário, e de forma sigilosa.

A arma que lhe deixo, ao lado da educação que presumo sua mãe tenha tido condições de proporcionar-lhe, é mais do que um simples presente material: ela representa a minha crença no direito que cada homem honesto tem de defender a si próprio, seus familiares e companheiros e a sua propriedade, independentemente até dos ditames dos governos.

Use-a, se possível em sua época, como um instrumento de lazer, para o que ela também foi projetada, aperfeiçoe-se treinando com ela, mas lembre-se sempre que ela pode ser também um instrumento letal e, assim, entenda-a para defender seus princípios apenas quando eles forem legítimos e em último recurso.

Sinceramente, meu espírito alegrar-se-ia caso os seus tempos permitirem que Você consiga ministrar a seu(s) filho(s) o que eu tive em minha adolescência, juventude e numa parte da vida madura: entendimento e respeito para com as armas de fogo, obtendo de seu uso consciente grandes doses de prazer e aprendizado.

Afinal, não acredito que Você tenha nascido num dia de Natal, eu lhe dado o prenome de Jesus e, agora, este presente aos 30 anos à toa. Seu pai o saúda da eternidade, desejando a todos que ele amou e aos seus descendentes um Feliz Natal neste ano de 2019.

São Paulo SP, 16 11 2000.

Índice

Índice da Edição
16
MT-12Teste
A Sub-Metralhadora Brasileira
22
Colt BerettaTeste
Uma Visão Geral do Que Aconteceu
26
As Fabulosas Facas Smith & WessonEspecial
30
Revólveres Nacionais em .357 MagnumTeste
38
A Nova Pistola da TaurusEspecial
40
Revólveres EnfieldEspecial
Robustez a Serviço de Sua Majestade
46
WeatherbyEsporte
O "Rolls Royce" dos Rifles
54
Miras LuminosasEspecial
Atire no Escuro
56
Brasileiros Atirando nos EUAEsporte
60
O Rifle e a Munição do FuturoTeste

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