Editorial
CENSURA E PODER POLITICO
"Os Especialistas Concordam que a Censura Funciona". Este título, uma tradução da ideia inicial do anúncio reproduzido aqui e publicado recentemente pelas revistas norte-americanas de maior tiragem, em campanha conjunta, nos faz lembrar que não estamos assim tão distantes da realidade brasileira da censura.
Obviamente que, como nossos colegas jornalistas norte-americanos, sabemos que existem "grupos da decência" agindo, e muito bem, porém, o que também precisamos é deixar bem claro junto a nossos leitores é que a censura se sofistica, assume novas formas sutis, normalmente não percebidas, mas, sem dúvida, presentes e operantes.
Relativamente às armas, sua posse e ou porte, existe em nossa opinião um subliminar trabalho de censura, totalmente novo. E, curiosamente, essa tarefa não é, na maioria das vezes, exercida pelas autoridades constituídas do Brasil, o que pode ser facilmente comprovado pelo fato de termos recebido inúmeras mensagens de congratulação pelo lançamento de Magnum de muitas autoridades militares e policiais, veja seção "Cartas", estas sim envolvidas diretamente no controle de armas.
Fica, então, patente que esse sub-reptício trabalho de censura é mantido e incentivado por alguns civis brasileiros, os quais, através de complexas artimanhas e identificações com outras pessoas, as fazem ter uma "natural", à primeira vista, e injustificada postura anti-armas.
O Dr. Joseph Goebbels, a mão publicitária de Hitler, não era um militar, muito menos policial, e, no entanto, manteve grande censura em todos os aspectos da vida civil alemã no III Reich. Usando seu poder jornalístico e sua autoridade, Goebbels coagia a população de que "o bom é ser marionete, deixar-se conduzir". Apenas para dar outro exemplo, ainda atados no anúncio mostrado, lembramos que o aiatolá Khomeini é uma descarada autoridade religiosa, claramente sequioso pelo total poder político do Irã, que conseguiu convencer uma infeliz, pobre e inculta população a aplaudir seus desmandos.
Assim, a censura, por mais sutil, aparentemente inócua e boba que possa parecer, funciona em mentes despreparadas.
Agora, o grande problema, para esses censores não tão amadores assim, é que temos certeza que o brasileiro médio não é assim tão idiota, deslumbrado, despreparado e tão facilmente conduzível como eles insistem em pensar.
Estamos, objetivamente, nos referindo aos sensacionalistas, o novo nome dos sutis censores civis brasileiros. E quem são estas totalmente pardas "quase eminências"? São os maus jornalistas, os maus dirigentes dos canais de televisão, do rádio, os deputados que não têm, ou não querem, apresentar melhores projetos, etc., e até aquela pacata dona de casa, propositalmente feita despreparada, que em sua fértil imaginação sonha com imensas armas rondando a paz de seu lar e cerceando como monstros a educação de seus rebentos.
Num primeiro momento, poderá o leitor desavisado imaginar que estamos sendo contra tudo e contra todos, mas a realidade não é essa.
Como estamos baseados em São Paulo, comecemos pela realidade da imprensa daqui: há algumas semanas atrás, um dos maiores diários, do qual não vamos mencionar o nome para não dar-lhe um imerecido "ibope", tampouco por receios, mas muito mais por uma questão de ética, aliás, ética essa que deveria ser lembrada pela senhora e outros redatores que participaram do artigo em pauta, abria uma sua reportagem sobre interessante estatística de que são apreendidas cerca de 2.000 armas irregulares por mês nesta metrópole, com o tendencioso título de "As Armas de São Paulo", como se aqui fosse uma semicolonizada vila do selvagem oeste norte-americano no século passado. Isto, sem falar na capa de tal vespertino, a qual utilizou cerca de 60% de seu espaço com revólveres dos mais variados tipos e com a pomposa vinheta de "A Cidade Se Arma". Tudo isto, temos certeza, para atrair a atenção do povo. O diabo é que atraiu a nossa, também. Não é, senhor editor?
Existe ainda um outro jornal de São Paulo, que diariamente gasta mais da metade de seu espaço total para, isto sim, promover os crimes de morte com armas de fogo. Vejam que "primor" este título de capa numa das últimas edições: "Estourou o Peito da Avó Com Um Tiro". É o "fim da picada".
Sabemos que o sensacionalismo vende muito. Mas, onde está o sentido didático do veículo de comunicação? Respectivamente, estes títulos poderiam ser "Paulistano: Regularize sua Arma", uma vez que a tônica maior da matéria era essa, ou "Demente Mata a Avó", até talvez seguindo a sangrenta linha deste último veículo, porém, dando a conotação de que apenas um maluco teria a coragem de matar a mãe de sua mãe.
THE EXPERTS AGREE THAT CENSORSHIP WORKS
As emissoras de TV, por sua vez, pregam nas novelas a dissolução de lares e a falcatrua como modismo, atitudes de personagens cujas histórias sempre acabam bem, para em seguida capitalizarem dividendos junto aos governantes e apavorarem a população promovendo pretensos programas contra a violência, que nunca dão em nada.
Ora, colegas jornalistas, não é esta a comunicação, informação e a postura que se espera dos verdadeiros profissionais de imprensa.
O que se busca é o que o Dr. Paulo Novaes de Paula Santos, delegado titular da Divisão de Produtos Controlados, órgão da polícia paulista que emite registros e portes de armas, propôs, ainda na mesma primeira reportagem citada: alternativas viáveis, sem sensacionalismos baratos, só para vender mais jornais, veja seção "Entrevista".
Por outro lado, estamos chegando às eleições para a Constituinte, onde a população ativa e interessada numa real legislação que entenda as armas deve manifestar-se de forma clara, mostrando sua força política, neste importante momento da vida democrática brasileira.
Soubemos de federações, associações e clubes que já estão concentrando esforços nesse sentido, preparando estudos, orientando deputados e mantendo sessões de discussão com seus membros. Porém, esses organismos só serão fortalecidos à medida que os esportes com armas por eles mantidos tiverem maior apoio, mais associados.
Assim, chamamos a atenção para a necessidade de sua filiação a essas entidades, da manifestação de sua opinião junto à Constituinte e, o mais importante, de sua observação e respeito no que tange às leis que regularizam a posse e o porte de armas no Brasil.
O verdadeiro apaixonado por armas as têm regularizadas, porque sabe que assim soma, aumentando o número daqueles que pensam como ele, fortalecendo esse segmento da população. Somente assim, através da consciência de observância à lei, é que se vai ter um Brasil onde as autoridades possam entender os desejos de todas as parcelas do povo. Lembre-se: a democracia também é uma arma. A arma do povo.
P.S.: No encerramento da parte redacional desta edição, fomos "sacudidos" pela censura imposta ao filme "Cobra", estrelado por Sylvester Stallone, com 5 cortes, que mutilaram 16 minutos da película, e sua proibição de exibição para menores de 18 anos, por conter "cenas de violência e para adequá-lo na campanha antiviolência que vem sendo desencadeada pelo Ministério da Justiça", segundo o Diretor da Divisão de Censura do Departamento de Polícia Federal, Dr. Coriolano Fagundes.
Seria isto um "empréstimo compulsório" da velha república? Ou a volta sutil da tradicional censura ditatorial?
Índice
Acesse esta edição
Assine e acesse esta e outras 206 edições. Ou compre apenas esta edição por 30 dias.








