Editorial
MUITA PROMESSA, POUCA ENTREGA
Ao leitor, peço apenas o devido empenho em adimplir filtragens. Não de forma a perder oportunidade de perceber e apreender surpresas positivas - porque muita gente boa há, de fato, muito, MUITO bem intencionada -, todavia no sentido de se proteger de "aventureiros". Sujeitos que vão desde "aventureiros falastrões", que nada ensinam de positivo, sempre sob precários formatos, baixos, incultos e despreparados repertórios, até chegar nos "aventureiros de mau caráter", que lambem o alfanje do estelionato e não acham nada estranho tomar seu dinheiro SEM SABER se o fuzil, se a pistola, se os carregadores, se o revólver, ou se a prensa de recarga encomendados vão conseguir chegar às SUAS ingênuas mãos.
As novidades são importantes. Claro que sim. Mas elas têm que ser sabatinadas, em função da possível utilidade, sempre que surjam bradando suas virtudes de novidades. E é só o decurso do tempo quem opera a sabatina.
Acreditar em tudo o que brota é uma grande bobagem. Assim como é bobagem negar, taxativamente, tudo de novo que brote. "Nem minestrone ao lume do candeeiro, nem missoshiru à feérica luz da banda de led."
Sem falsas terceiras vias, a verdade da vida é mais frequentemente fulcrada na síntese, bastante mais que na tese... ou na antítese. Novas teses costumam ser contrapostas pela alicerçada experiência antitética, e dessa batida de ombros (ou de cabeças) é que surge o bom resultado a que chamamos progresso.
Pessoalmente, ando mais e mais empenhado em filtrar com atenção o ambiente que me entorna. Se, de um lado, é valioso termos TANTA coisa nova chegando (haja olhos e ouvidos!), de outro lado, é algo puramente pernicioso.
Como numa partida de Tetris*, tentar administrar cada uma das sucessivas novidades que despencam - tentando alocar, encaixar, alinhar, assim depois eliminar seus alinhamentos pra ganhar espaço é perfeitamente possível por curto espaço de tempo; quase possível por médio-longo espaço de tempo; e absolutamente impossível por longo espaço de tempo.
No dia a dia real, não dá pra tentar acompanhar todo o criatório de novidades, encaixando, alinhando e fazendo úteis seus conteúdos. Na partida de Tetris, o empilhamento de sólidos satura, perdemos controle, e a coisa toda implode. "Game Over, Loser!"
Muita coisa acontecendo desde que algo por aqui mudou e/ou se pretendeu mudado. Referência aqui à política de armas, é claro. Muito sujeito brotou no front, havendo os que tenham finalmente vindo se entregar a uma vocação verdadeira, anteriormente sufocada, e havendo também muito... mas MUITO paraquedista tocando o solo.
Ótimo que haja volume. Ótimo que haja multiplicações. Ótimo que haja mais gente falando e contando especificidades sobre armas, sendo respaldada pela indústria e, claro (!), pelo comércio. Mas promove uma enorme sensação de indigestão o sentir e perceber que algumas dessas tantas pessoas estariam pousando noutros galhos, desde que oportunamente, atraídas pelo simples perfume do dinheiro - motor-mor do latino comum.
Caio Wolff Bava
caiobava@revistamagnum.com.br
(*Tetris - jogo eletrônico soviético, um quebra-cabeça lançado em 1984, assinado pela Academia Russa de Ciências. Tornado famoso sob um velho hardware da Nintendo dito Game Boy.)
Índice
Índice da Edição
8
TAURUS RAGING HUNTERTestes
Por A versão em calibre menor do parrudo revólver Taurus para o mercado da caça.Helio Barreiros Jr.
16
TIRO INSTINTIVOArqueria
Por Sebastian Carlos MurioniQuando, entre o olho e o alvo, o que vale mesmo é o treino.
22
VOTORANTIM Cutelaria
Por Caio Wolff BavaO eterno (e utópico) desejo pela faca onipotente.
28
MP 40 SCHMEISSER Testes
Por Lincoln Tendler / Rodrigo ToledoUma Metralhadora de Mão genuinamente germanica!
38
FABRICIO REBELO
Jurista, coordenador do Centro de Pesquisa em Direito e Segurança (Cepedes). fala sobre os caminhos da legislação.
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