Editorial
Reestreia de um "filme" que todos já vimos!
Assim como na propaganda de um preparado para bebida láctea bem conhecido, “há mil maneiras de se fazer um editorial como este”, resolvemos começar pelo incrível desrespeito à opinião popular, ou seja, simplesmente sugerir que se faça um novo referendo, ou plebiscito, quanto à questão das armas de fogo.
Dentro de tal linha de pensamento, pode-se intuir que, daqui para frente, sempre que um resultado obtido nas urnas não agradar o governo, far-se-á outro e pronto. Isso não só cheira a malévola intervenção, mas também é, escancaradamente, uma maneira de se rasgar a Constituição Federal, desrespeitando, desta vez, a vontade do povo. O que impede quaisquer governantes de repetir a dose sempre que lhes for conveniente?
Assim, já extrapolamos a questão das armas e passamos para uma atitude de imposição que passa bem longe do conceito de democracia.
Recomeçamos este editorial agora em linha bem diferente, mas igualmente válida. Partindo-se do estranho princípio de que essa blitz antiarmas, surgida em tempos de comoção popular, teria por fim legítimo colocar um basta à criminalidade, algo de há muito provado como sendo exatamente contrário ao cenário que tentam impor, há vários fatores a considerar.
É claro que o governo tem consciência de que os maus continuarão a possuir armas, e não se trata de armamento legalizado. Alguém ainda crê que bandidos compram tal material em lojas e se submetem à enorme quantidade de exigências necessárias para se adquirir uma arma de fogo, como certidões de idoneidade, teste psicotécnico, comprovação de residência fixa e de emprego regular? Conclusão: as armas utilizadas eram ilícitas.
Alguns políticos, vivandeiras e viúvas do referendo, sempre se aproveitam de momentos de desconforto geral para retomar a velha narrativa de que a raiz de todos os males está nas armas e, desse modo, fazem o papel de “bonzinhos”, de “politicamente corretos”, buscando angariar votos daqueles que pouco entendem da situação apresentada.
Cabe também questionar se esses mesmos políticos analisam o fato como caso isolado e estudam o perfil do responsável por tais tragédias. Muitas vezes trata-se de indivíduos com problemas mentais, que jamais poderiam, pela legislação vigente, possuir armas legalmente, além de tê-las adquirido de forma irregular.
Ninguém em sã consciência defende uma sociedade totalmente armada sem necessidade, mas frente à ausência do poder público em proporcionar proteção aos cidadãos, ausência que resulta no aumento da criminalidade, torna-se natural buscar meios de defesa própria e de terceiros, como previsto no Código Penal e na Constituição.
Curiosamente, muitos daqueles que defendem o desarmamento das pessoas de bem circulam sob escolta armada. Assim, conclui-se que qualquer tentativa de desarmamento atingiria apenas os mesmos de sempre, ou então se trataria de uma utopia na qual ninguém possuiria armas, ideia que chega ao ponto de sugerir o desarmamento até das forças policiais e militares.
Exemplos internacionais mostram que nações mais armadas apresentam menores índices de criminalidade, sem recorrer a estatísticas distorcidas. Em contrapartida, a história registra diversos governos totalitários que começaram seus processos justamente desarmando suas populações.
Outro ponto pouco discutido é a diferença de tratamento da mídia, que dá destaque desproporcional a crimes cometidos com armas de fogo, ignorando aqueles praticados com outros instrumentos. Vale lembrar que muitos desses episódios só são encerrados com a chegada da polícia armada, evidenciando que a própria solução envolve o uso de armas.
Se houvesse segurança armada em determinados locais, muitas tragédias poderiam ser interrompidas logo no início ou até evitadas, pois a simples possibilidade de resistência já atuaria como fator dissuasório.
Por fim, há um aspecto frequentemente negligenciado. Diante de casos envolvendo indivíduos com transtornos mentais, por que não direcionar recursos para a construção de clínicas psiquiátricas em vez de novos referendos? Buscar atendimento em instituições públicas desse tipo é extremamente difícil, o que evidencia uma falha estrutural que deveria ser priorizada.
Dessa forma, respeitar-se-ia a vontade já expressa pela população e, ao mesmo tempo, seriam tratadas as causas reais de muitos desses crimes, oferecendo apoio adequado a quem necessita. Talvez assim fosse possível alcançar uma redução efetiva desses episódios. Com a palavra, o leitor.
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