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Revista Magnum Edição 111
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Revista Magnum Edição 111

nov. de 2010 · 68 páginas

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A edição 111 da Revista Magnum celebra o melhor da engenharia nacional e internacional com dois testes empolgantes: o fuzil Imbel IA-2 — uma arma genuinamente brasileira que vai orgulhar qualquer atirador — e as pistolas Taurus PT 809 e PT 840, representando a muito aguardada Série 800. O IWA Show 2010 em Nuremberg cobre as principais novidades europeias. A Remington 43 Spanish é testada nas clássicas com toda a pureza do conceito Rolling Block. O Blade Show internacional é coberto com as novidades mais significativas do mundo das lâminas. Um congresso nacional de instrutores de tiro das PMs estabelece bases técnicas para todo o território. E um artigo legislativo sobre as ameaças às liberdades dos atiradores fecha a edição com conteúdo que todo cidadão armado precisa conhecer.

Editorial

N ão sei contar de onde vem meu amor pelas armas. Desde quando me entendi por gente, elas já faziam parte; estavam em mim.
Sei que meu gosto por leitura, o pouco de inglês que conheço, a escolha da minha profissão, boa parte do meu circulo de amizades, minhas convicções políticas, bem como outros tantos elementos, faces, telas e segmentos da minha vida, todos nasceram, crescem e se desenvolvem nas armas.
Inteiro com a idéia de que a história das armas se confunde com a história do próprio homem, conto simplesmente "Crer". Crer na defesa de pessoas e coisas. Crer na legitimidade e naturalidade da Caça. Crer nos esportes ao ar-livre; na liberdade; na coleção que zela a história. Crer no uso lúdico e sensato do bom e velho pau-de-fogo. Crer no direito de ter armas e de poder mantê-las.
Desde uns poucos anos de idade até aqui quase quarenta, por algumas vezes desanimei de verdade e vi enfraquecida toda essa crença. Em 1997 quando um certo FHC começou a vociferar, importando a moda colonialista britânica dos discursos anti-armas, conheci esse desanimo. Em 2003 quando lançada a maldita lei 10.826, dita "estatuto do desarmamento", eu o revisitei. Em 2005 - quando da expectativa e do acontecimento do Referendo das Armas-, fui totalmente tomado por ele.
Nessas ocasiões, me sentindo ignorante, incompetente, inepto, impotente ante aos fatos, busquei informação verdadeira, orientação e apoio de quem, muito acima das minhas dúvidas e críticas, pudesse dá-los a mim com toda a segurança que o tempo e meu desanimo filtrante permitissem.
Em meio a um consistório de falastrões falsos estudiosos, falsos sabedores do assunto e até falsos pró-armas, duas sólidas figuras ficaram claramente bem separadas pela joeira. Hoje grandes amigos, meus arrimos, meus contrafortes naquilo que diga respeito às fobias trazidas pela ameaça desarmamentista, são eles o Coronel Paes de Lira e o Professor Beně Barbosa pessoas notórias entre nós, pró-armas, que dispensam apresentações.
Já vão cinco longos anos desde o Referendo. Um qüinqüênio em que pudemos constatar desrespeito ao que foi resolvido pelas urnas; desrespeito ao erário; desrespeito à história; desrespeito às estatísticas; desrespeito à verdade. Enfim, desrespeitos de todos os reinos, filos, ordens, classes, famílias, gêneros e espécies.
Tomei a iniciativa de entrevistar esses dois ilustres timoneiros - Paes de Lira e Benê Barbosa, com base nas quatro perguntas que exponho a seguir, trazendo suas respostas em formato de texto corrido. Com isso proponho, ao mesmo tempo, celebrarmos o primeiro lustro do Referendo das Armas e nos atentarmos para tudo o que rolou e o que ainda está por vir, sabendo, de pronto, que teremos uma Presidência da República desarmamentista e que, circunstancialmente, não poderemos contar com a luta em câmara, no planalto central, de gente do calibre do Coronel Paes de Lira -cuja vaga foi preterida às de "fanfarrões-analfabetos funcionais-pluridesqualificados".
1_Na prática o que mudou com o resultado do referendo?
2_As eleições de 2010 poderiam mudar esse
quadro?
3 A imprensa mudou sua postura?
4 Tivemos uma enorme mobilização em 2005 e agora?
Coronel Paes de Lira:
Após o referendo, no limiar de um ano eleitoral (2006), os parlamentares que atuaram na Frente da Legitima Defesa deveriam ter capitalizado a nossa vitoria, aproveitando o clima politico extremamente favorável. Não o fizeram, quedaram-se inertes. A iniciativa de Alceu Collares ficou, pois, isolada, sem apoio. Se houvesse sido realizada, imediatamente, uma grande mobilização pela reforma completa do draconiano Estatuto do Desarmamento, o Congresso teria dado uma resposta adequada. Poucos parlamentares, naquele momento, quereriam adotar posição contrária à maciça fala das urnas.
Enfim, o mal dos que se engajaram no grande combate de 2005 foi abandonar as trincheiras e passar à retaguarda assim que o perigo, aparen temente, passou. A verdade é que o inimigo recuperou-se rapidamente do revés, devido à nossa inércia. Mas ainda não é tarde.
De modo geral a imprensa não mudou ainda a postura. Basta verificar como, sistematicamente, são veiculadas na grande mídia declarações dos notórios desarmamentistas de ONG financiadas do exterior: afirmativas sem lastro estatístico algum a tentar empulhar a opinião pública, passando dados distorcidos sobre redução de homicidios dolosos, atribuídos aos "efeitos do Estatuto do Desar mamento". O dado de realidade, aliás proveniente de órgão governamental (IBGE) é o seguinte: o índice médio nacional de tais crimes, por grupo de cem mil habitantes, era de 19,2 no ano de 1992 e subiu para 25,4 em 2007. Portanto, quatro anos de imposição do desarmamento das pessoas de bem, ao longo dos quais se realizaram duas lacrimosas campanhas de entrega voluntária de Armas de Fogo, não serviram para diminuir, mas para aumentar, a agressividade e o atrevimento dos verdadeiros matadores: os bandidos, que, obviamente, não compram armas de fogo em lojas.
Por outro lado, passou a haver um pouco mais de espaço para a veiculação das posições contrárias ao desarmamento das pessoas de bem. Principalmente devido à repercussão de meu pronunciamento no plenário da Organização das Nações Unidas, em 30/06/2006, na Conferència Mundial Sobre o Controle de Armas Leves.
As pessoas que acreditam no valor do tiro Desportivo, defendem a tradição da Caça sustentável e propugnam pelo direito à legitima defesa têm de entender que votar, para Deputado Federal ou Senador, no "zezinho das couves", ou no "candidato da região", de nada lhes adiantará. Assim como nada conseguirão com votos nulos. Mesmo para cargos no Executivo, o nosso voto não deve ser dado aos que certamente, se para tanto tiverem poder, confiscarão as nossas armas e nos imporão a submissão ao crime.
Urge, a meu ver, concretizar com personalidade jurídica, uma grande e forte coalizão nacional dos Atiradores Desportivos, Colecionadores, Caçadores e partidários do direito à legitima defesa: uma notável organização conservadora. Com tal configuração, teria, sem dúvida, condição de exercer poderoso "lobby" construtivo, ético e combativo no Congresso Nacional.
Professor Benë Barbosa:
Cinco anos do referendo e nada mudou. Nunca neste país o voto popular foi tão desrespeitado. Aqueles que pregam o desarmamento da sociedade continuam ativos e organizados. Provam isso seus värios projetos de lei apresentados nestes anos, sempre com proibições e/ou mais restrições.
Após 2005, nós, pró-armas, tivemos enorme desmobilização. Alguns se cansaram. Abandonaram a luta por perceber que o referendo popular NÃO seria respeitado. Outra parcela, ainda mais significativa, acreditou que, vencido o referendo, o respeito ao direito estava garantido. Estavam e continuam errados. A prática nos mostrou e mostra. Os poucos projetos (PL) que visaram adequar a Lei 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento) sofreram muita, muita pressão mesmo da imprensa e, via de regra, visaram exclusivamente beneficio de certas categorias profissionais.
Muitos acreditavam que o Estatuto do Desarmamento não os atingiria. Ledo engano. Há um ditado americano que diz: "Quem ataca uma arma, ataca todas as armas". Prova disso é atual campanha contra os Atiradores, Colecionadores e Caçadores (os chamados CACs). Imprensa e "estudos" de ONGs desarmamentistas mostram ser essa categoria a BOLA DA VEZ. Outra prova - bem contundente é a adoção da DFPC de todos os parâmetros e requisitos da Lei 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento). Depois do referendo, ao estudar para onde caminhávamos, percebi que não estávamos longe de ter uma legislação em que fosse mais fácil o cidadão comum possuir uma arma do que o CAC. E isso, infelizmente, já acontece.
Dos últimos candidatos à Presidência da República, os dois que tinham chance de vitória têm posições bem semelhantes, com diferente grau de radicalização. José Serra sempre foi anti-armas declarado e é parceiro de uma conhecida ONG desarmamentista. Dilma é desarmamentista convicta, demostra isso em seu criticado Plano Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH3), cuja diretriz 13 torna ao desarmamento civil. Clari-ficando, anti-armas são aqueles que abominam armas e desarmamentistas, aqueles que, mesmo não as abominando, querem o desarmamento da população. Não nos esqueçamos de que o ex-ministro Tarso Genro, eleito governador do Rio Grande do Sul, embora seja desarmamentista, possui duas armas registradas em seu nome e porte federal. Não nos esqueçamos de que a ex-ministra Dilma Roussef, eleita presidente do Brasil, atuou na oculta luta armada, como armeira inclusive.
Não é à toa que na constituição norte-americana a primeira emenda garante o direito a uma imprensa livre e a segunda o direito de possuir e portar Armas de Fogo. Uma não pode sobreviver sem a outra. Embora não raro ainda encontremos noticias totalmente PARCIAIS sobre armas e o direito de possuí-las, durante a realização do Fórum de discussão sobre o PNDH3, realizado pelo Instituto Plínio Correa de Oliveira, que contou com a presença do Dep. Paes de Lira, o jurista Ives Gandra e o do Dr. Paulo Uebel, do Instituto Millenium, tive a informação de que muitos dos jornalistas de ponta hoje se arrependem muito de ter apoiado o desarmamento. Ocorre que "o lobo-mau da censura" está batendo às suas portas. Quando falávamos que desarmamento nada mais era do que um instrumento de controle. social, éramos taxados de loucos. Agora, porém... existe medo e a imprensa está começando a acordar para a realidade.
Mas, também temos algumas informações positivas, sim. Como bom exemplo, em 2005 tínhamos o apoio de apenas 5, talvez 6 deputados federais. Hoje temos o apoio de cerca de 144 deles. Isso mostra que, se seguirmos em nossa missão de bem informar, teremos grande chance de modificar o quadro atual.
Caio Wolff Bava

Índice · 2 páginas

Índice da Edição
10
Avanços Tecnológicos — Compreendendo o RecuoTiro de Pressão
Por Eng. Nelson L. de Faria
14
Ecos do IWA Show 2010Eventos
Por Lincoln TendlerNuremberg vira a Capital europeia das armas durante a Mostra
20
Em Busca da Rainha dos CamposOrientação
Por Helio Barreiros JúniorO que é importante em uma espingarda
26
Fuzil Imbel IA-2Teste
Por Helio Barreiros JúniorUma arma genuinamente nacional!
32
Pistolas Taurus PT 809 e PT 840Teste
Por Helio Barreiros JúniorA esperada Série 800 e suas novidades
38
Remington 43 SpanishTestando as Clássicas
Por Amandio de Moraes JúniorConceito Rolling Block em toda sua pureza!
44
Ecos do Blade ShowEventos
Por Helio Barreiros JúniorA mais significativa Mostra de Lâminas do mundo!
48
Estojos — Algumas Informações AvulsasDicas de Recarga
Por Eng. Creso M. Zanotta
54
Congresso Nacional de Instrutores de Tiro das PMsTreinamento Policial
Por Lincoln TendlerSeminário estabelece bases para todo o território nacional
58
Viúvas do ReferendoLegislação
Por Daniel FazzolariNovas ameaças à Liberdade garantida pela Constituição

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