Editorial
HOJE, NO FUTURO
Uma das coisas realmente importantes na literatura é a capacidade de sobrevivência de um dado texto. Se ele for bom, e pegar na veia, apresentará grandes possibilidades de ser cultuado no futuro como uma peça a ser eternamente lembrada.
Para tanto, o texto deverá conter algumas características que o façam entrar para esse grupo de eternidade, seja por ensinamento profundo nele contido ou, ainda, por discorrer sobre certos fatos que irão, de uma maneira ou de outra, espelhar o que ocorria durante o período em que foi escrito, então automaticamente se tornando documento histórico.
Isso praticamente aconteceu com um de nossos editoriais, há muitos anos, o qual continha um terrível vaticínio, aquele relativo a um dia termos nossa possibilidade de defesa pessoal restrita através do confisco de armamento. Nele, o personagem central era um rapaz que, ao ler o que o pai tinha escrito para ele pouco antes de morrer, soube que havia, bem escondida em um ponto da propriedade onde vivia, uma arma que conseguira sobreviver ao confisco e que fora ao jovem deixada para que ele pudesse ter ao menos um instrumento de defesa, caso fosse necessário.
Este editorial, por exemplo, apresenta alguma profundidade, mas o que realmente fará com que ele se insira em qualquer seleto arquivo temporal será o que vem a seguir, ou seja, assertivas que poderão causar um “é mesmo, naquele tempo as coisas aconteceram desse jeito”. Foi escrito em época onde a decência é aviltada a cada instante, mesmo entre aqueles mandatários do país, os quais deveriam estabelecer exemplos positivos e não partir para agressões verbais injustificadas que quase se tornam cenas de pugilato explícito.
Assim, basta ligarmos nossas TVs para que vejamos grotescarias, e não só aquelas que acontecem nas ruas, frutos de problemas de base como educação, saúde e segurança, mas também em pleno Senado, onde pessoas vestindo belos ternos e gravatas, mal-educados também podem vestir-se bem, desafiam-se mutuamente como em brigas entre moleques malcriados.
Paralelamente ao descrito, na esteira da recente proibição de se fumar em locais fechados, inicialmente aqui no Estado de São Paulo, mas cremos que isso deverá espalhar-se por todo o Brasil, discute-se muito na atualidade um fenômeno referente a leis que pegam ou não pegam. E o maior exemplo desse estranho fenômeno é o quase completo esquecimento em relação ao resultado plenamente configurado no referendo que pretendia o desarmamento total e, até agora, só conseguiu realmente desarmar boa parte dos cidadãos de bem, posto que os bandidos continuam muito bem armados, às vezes até mais do que as polícias. E note que nem citamos o aumento da criminalidade, mesmo com a estranha atitude passiva e negativa das autoridades no que se refere à concessão de licenças e portes de armamento para defesa dos honestos.
E, para aqueles que ainda duvidam do tal pega ou não pega de algumas leis, relembramos que até hoje há gente que acredita que portar facas é crime, ou no mínimo contravenção. Ora, o texto legal que discorria sobre tal assunto foi há muito revogado, durou poucos dias e somente durante a administração do então presidente Vargas, mas ainda há autoridades e representantes delas a jurar que tal lei existe e está em vigor.
Então, o que se pode esperar de um país no qual nem os que pretendem cumprir a lei a conhecem como deviam? Um país em que cultuados exemplos são grandemente negativos e acabam por passar a mensagem de que o negócio é ganhar muito e trabalhar pouco, e a fraude chega a ser corriqueira.
Cremos ter chegado a hora de mudar, de fazer valer a verdade e sepultar a ganância, de empossarmos aqueles que serão realmente representantes do povo, sem legislar em causa própria, e o voto está aí para isso.
Assim, esperamos que aqueles que nos rodeiam nunca venham a fazer parte daquela maioria que padece de ignorância, ou simples teimosia política, e que acaba sofrendo por isso, às vezes sem perceber as causas. Queremos um Brasil melhor e sabemos que você, leitor, comunga conosco em tal desejo.
Os Editores
Índice · 2 páginas
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