LogoLogo
Edição 74 - Ano 13 - Junho/Julho 2001
REGULAR74

Edição 74 - Ano 13 - Junho/Julho 2001

jun. de 2001 · 69 páginas

🔒 Assinatura ou acesso avulso por 30 dias

A edição 74 da Revista Magnum vai fundo na história militar com um especial fascinante: os fuzis alemães do III Reich, apresentados com perfeição técnica e riqueza histórica. A pistola Colt Model 633 Compact em 9mm passa pelo banco de testes, mostrando como a Colt sabe adaptar seus clássicos para diferentes necessidades. O método Giraldi de treinamento policial é apresentado como uma abordagem que pode salvar vidas no confronto. A LAD 2001, feira internacional de armamento realizada no Brasil, é coberta com todos os destaques. A SIG Sauer P229 com dois calibres em uma só arma revela a flexibilidade da plataforma suíça. E o campeonato brasileiro de silhuetas metálicas mostra o alto nível do tiro de precisão nacional.

Editorial

A “orquestra” do Planalto

É claro que música sempre foi um item de escolha estritamente pessoal. A musicalidade, contudo, é algo que nem todos possuem, daí possivelmente advindo o ditado “quem sabe, sabe; quem não sabe, bate palmas”...

O fato é que nós, cidadãos honestos, trabalhadores, pagadores de impostos e com domicílio plenamente conhecido, estamos todos no grande salão de baile da sociedade, e a música que frequentemente toca por aqui não agrada à maioria. A orquestra, como não poderia deixar de ser, é a de Brasília, geralmente falha em musicalidade e, com certeza, sem muito ritmo.

Somos, porém, obrigados a ouvir e, às vezes, até mesmo a dançar ao som daqueles músicos não tão afinados, enquanto que no salão dos Comandos e Falanges, ao lado, onde não se paga nem um “ingressinho” para entrar, todos os tipos de bandidos sempre escolhem a música que querem e dançam à vontade, sem se preocuparem com os acordes “organizados” tocados no salão principal, os quais em nada os atrapalham.

Nos últimos tempos, a música vigente no grande salão da sociedade, onde somos admitidos somente mediante o pagamento de caros “ingressos”, é a do desarmamento dos que lá estão e, nos intervalos para descanso dos músicos, tocam-se repetitivas marchinhas de CPIs. A maioria não sente vontade de dançar, ficando tristemente pelos cantos a desejar que pudesse fazer alguma coisa para que o regente mudasse um pouquinho o ritmo, mas regra é regra, e não se sabe, exatamente, quem é o tal regente...

Contudo, o Jornal do Senado de 23 de maio de 2001, o qual gentilmente recebemos por aqui, diariamente, dá nome a alguns dos músicos da orquestra, todos eles senadores da República. O menos afinado com os acordes da realidade é, como sempre foi, Renan Calheiros (PMDB-AL), relator do parecer no qual se proíbe radicalmente armas de fogo no Brasil, desde a fabricação até a posse, como forma de combater a violência e diminuir o número de mortes imotivadas geradas pelo fato de alguém estar portando uma arma. Em outras palavras, o senador citado toca pela pauta da surrealidade e esquece completamente exemplos como Suíça e Israel, onde qualquer cidadão possui ao menos uma arma e, nem por isso, apresentam índices de criminalidade elevados como os nossos. Pelo jeito, ele esqueceu também de paus, pedras, canetas, serras e outros objetos que, ao fim e ao cabo, de acordo com estatísticas não oficiais, porém verdadeiras, matam muito mais do que as chamadas armas de fogo.

Outro músico, isto é, senador de destaque, é Geraldo Melo (PSDB-RN), o qual perguntou a Calheiros por que não desarmou os bandidos quando foi ministro da Justiça e dispunha de meios para tal, ficando obviamente sem resposta, já que Calheiros, ao redigir seu parecer, nunca o dirigiu especificamente aos bandidos, e sim aos cidadãos comuns, dos quais, obviamente, fica muito mais fácil retirar armas de fogo, já que têm bons antecedentes, domicílio conhecido e suas armas devidamente registradas. Geraldo Melo lembrou ainda que o Estado não está apto a garantir tranquilidade e, por isso, não pode proibir um direito dos cidadãos.

Mais um músico ouvido, o senador Roberto Requião (PMDB-PR), foi bem incisivo ao citar a experiência dos EUA com a proibição de bebidas alcoólicas, a chamada Lei Seca, que acabou gerando a máfia norte-americana. Assim, para ele, é uma tolice absoluta proibir armas no Brasil, afirmando ainda que possui arma em casa e que não abre mão do direito de garantir segurança para sua família.

A senadora Emília Fernandes (PT-RS), afinadíssima que é, lembrou a falta de apoio e as péssimas condições de trabalho das polícias brasileiras, ressaltando que a proibição total de armas não passa de uma panaceia para encobrir a incapacidade oficial de oferecer segurança pública, sendo secundada por outro músico de valor, o senador Geraldo Cândido (PT-RJ), o qual cobrou resultados do utópico Plano Nacional de Segurança, lançado com estardalhaço pelo governo federal após a morte da professora Geisa durante o sequestro do ônibus 174 no Rio de Janeiro.

A pauta do substitutivo do senador Pedro Piva (PSDB-SP) parece, a essa altura, ser a escolhida para o baile da sociedade. Se não se configura como ideal, pelo menos não é tão restritiva quanto o projeto inicial do desafinado com a realidade Renan Calheiros.

Contudo, não devemos nos enganar sob a batuta conformista do “antes isso”, lembrando que as liberdades individuais do povo alemão, durante a vigência do III Reich, foram sendo removidas uma a uma, paulatinamente, graças à bem orquestrada propaganda do então ministro Goebbels e, principalmente, pelo imenso poder de magnetização de massas de que era dotado Adolf Hitler, poder esse que faltou a praticamente todos os dirigentes máximos desta nossa tão sofrida nação.

Enquanto isso, no salão ao lado, o dos Comandos e Falanges, todos bailam indiferentes a quaisquer medidas governamentais, musicais ou não, pois por lá a pauta que se executa é a da canção “Até quando (você vai levar porrada?)”.

Já não é hora de mandar para lá os “seguranças” e esquecer um pouco o bem-comportado público do baile da sociedade, onde os problemas que ocorrem são principalmente devidos a “penetras” vindos do outro salão?

Índice

Índice da Edição
7
Resposta Armada — Mais Relatos VerídicosResposta Armada
Por Klaus Mauser
10
Capacetes da 2ª Guerra MundialMilitaria
Por Frank RabbitOs mais desejados objetos bélicos
14
Luiz Antonio FleuryEntrevista
Por Lincoln J. Tendler
16
Método GiraldiTrabalho Policial
Por Márcio Santiago Higashi CoutoMantendo vivo o policial
20
Model 633 CompactTeste
Por J. J. D'A. MathiasUma 9 mm da Colt
26
Fuzis Alemães do III ReichEspecial
Por Frank RabbitPerfeição em armas longas
33
Benzoar IbexSafari
Por Os Editores
34
LAD 2001Eventos
Por Lincoln J. TendlerFeira internacional de armamento no Brasil
40
Armas da BoitoEspecial
Por Lincoln J. TendlerAs pumps da fabricante gaúcha
48
SIG Sauer P229Teste
Por Lincoln J. TendlerDois calibres em uma só arma
54
IHMSA BR 2001Tiro Esportivo
Por Marcelo B. BeltrãoXIII Campeonato Brasileiro de Silhuetas Metálicas
56
.480 RugerMunições
Por Eng. Creso M. ZanottaCalibre poderoso para armas curtas
58
Marcas, Logotipos e Nomes de Armas — X e ZMagnum Pesquisa
Por Eng. Creso M. Zanotta

Acesse esta edição

Assine e acesse esta e outras 206 edições. Ou compre apenas esta edição por 30 dias.

Outras Edições

Continue explorando o acervo