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Edição 28 - Ano 5 - Maio/Junho 1992
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Edição 28 - Ano 5 - Maio/Junho 1992

mai. de 1992 · 100 páginas

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A edição 28 da Revista Magnum traz uma conversa histórica: Gaston Glock visita o Brasil e a Magnum registra em exclusividade o encontro com o engenheiro que revolucionou o mercado de pistolas com seus polímeros e design inovador. Os revólveres Smith e Wesson Military e Police em .38 SPL têm sua fama mundial analisada com carinho e profundidade. A pistola CZ-99 iugoslava passa pelo banco de testes. O primeiro Field de Arco e Flecha é coberto como o tiro prático com flechas chega ao Brasil com força. A IWA 92 europeia revela as novidades do continente. E a 2a Copa Sul-Americana de IPSC no Equador documenta um campeonato de nível internacional que mostrou o quanto o tiro prático cresceu na América do Sul. Uma edição histórica em vários sentidos.

Editorial

O Homem Público e as Armas

Depois de 6 anos editando Magnum, recentemente tivemos uma amarga constatação: o homem público brasileiro, com raríssimas e honrosas exceções, continua se imbecilizando cada vez mais no tocante a armas de fogo e outras.

O grande problema é que o homem público, com as facilidades de comunicação da sociedade moderna, rapidamente dissemina sua colocação, comentário ou opinião errônea a respeito das armas, levando à população em geral uma carrada de imbecilidades desprovidas do mais mínimo bom senso ou gabarito técnico.

Recentemente, como se já não bastassem as frequentes reportagens em jornais impressos a respeito de armas de fogo, todas elas fazendo uma grande confusão na medida de calibres, com relação ao real poder de fogo e na divulgação de conceitos totalmente espúrios, também uma onda de bestial sensacionalismo assaltou a televisão brasileira.

Estes homens públicos, políticos, jornalistas, apresentadores de TV, autoridades, etc. de nosso país não podem ficar impunes com relação aos comentários imbecilóides e teses absurdas que tentam impingir à sociedade. Pela absoluta falta de gabarito com que fazem seus comentários, sem a mínima base técnica, e por sua postura que não admite opiniões contrárias, aqueles que têm alguma luz de inteligência já poderão entrever o grande tipo de enroladores que devem ser em sua real profissão. Sem dúvida, e nisto são mesmo mestres, manejam muito bem a fluência verbal, a gesticulação televisiva e sempre apresentam pseudo-argumentos a favor de suas ideias doentias. Mas somente os totalmente desavisados caem nessas infantis artimanhas. Hoje em dia é necessário mais, pois as pessoas já não são tão puras e influenciáveis como eles imaginam.

Em todo caso, a título de maiores esclarecimentos, aqui vão algumas contraposições às mais recentes imbecilidades dos homens públicos do Brasil no tocante a armas, isto servindo para que nossos leitores também divulguem e tomem consciência de quem são os imbecis dessa área.

O ex-candidato a presidente da república Enéas: o quer-falar-bonito-e-barbudo aprendiz de político do 3º mundo em seu rapidíssimo, como não poderia deixar de ser, segmento do programa de TV “Aqui Agora” (SBT, diariamente às 18:30) recentemente declarou-se contra todas as armas de fogo, externando a doentia ideia de proibir sua fabricação. Certamente alguém esqueceu de informar ao falso democrata que ele não tinha um programa na TV estatal da des-União Soviética, mas por aí já podemos julgar os perigos que se corre caso tal tipo venha a galgar a anteriormente pretendida posição política. Não votem nele e passem o comentário adiante, por favor.

O apresentador de TV Ferreira Netto: anteriormente tido como um dos melhores mediadores de programas de debate do Brasil, o agora quase apático jornalista apenas interrompe seus convidados para externar bobagens. Num de seus programas do mês de abril (“Programa Ferreira Netto”, Record, domingos, 22:30), sobre o menor infrator, afirmou que na Itália quem for pego portando arma de fogo ilegalmente vai para a cadeia, sem perdão. Mentira, seu Ferreira Netto: a pessoa apenas sofre um processo, com pena que pode, em casos extremos, ser a detenção. Na Itália, o porte de arma de fogo, assim como na Argentina e aqui, apenas é concedido a quem prove sua necessidade. Aliás, ainda apenas a título mais elucidativo, a Itália é o país que tem o tiro esportivo mais desenvolvido do mundo, tendo inclusive criado um calibre para o IPSC, o já famoso 9x21 mm; adicionalmente, é também o europeu com a mais atuante indústria de armas de fogo da atualidade. Lá, adquirir certos tipos e calibres de armas de fogo é um processo rapidíssimo, sem desnecessária burocracia. Por favor, não externe mais sua opinião, ou as bobagens que outros lhe falarem, sem ter certeza, pois assim o senhor perde o pouco crédito que ainda tem.

Repórteres do “Fantástico”: vez por outra, os comentaristas dos vários segmentos desse programa da Globo (domingos, 20:00) se revezam na divulgação de idiotices no tocante a armas de fogo. Ainda no segundo domingo de abril, apenas exatos 23 dias depois de lançada nossa edição nº 27, onde na seção “Sala de Armas” Laércio Gazinhato afirmava ser errado imaginar que uma simples espingarda calibre 12 servisse para matar elefantes, foi a vez de um deles informar, mais uma vez, a grande mentira, isto sem mencionar a já habitual confusão de calibres, chamando o .45 ACP de “45 milímetros”, espingarda de “escopeta” e outras bobagens. Realmente fantástico.

O deputado federal e delegado Sivuca: este político do Rio de Janeiro, convidado do apresentador Ferreira Netto no já mencionado pretenso programa de debates da TV Record, declarou-se totalmente contrário ao porte de arma de fogo pelo cidadão de bem, ao mesmo tempo em que tergiversava sobre sua extrema necessidade no domicílio das pessoas, taxativamente alegando não ser a polícia onipresente. O termo onipresente do senhor Sivuca deve ter duplo significado: enquanto totalmente válido em sua acepção para a residência, não o é para as ruas. Ora, isto é no mínimo falta de conhecimento da própria língua. Essa pessoa, sem dúvida a mais versada no assunto daquela mesa de debates, também nada disse quando o apresentador, com todas as letras, declarou-se contra a indústria de armas de fogo do Brasil, numa demonstração de súbita apatia. Assim, não dá.

O apresentador Boris Casoy: em seu “Telejornal Brasil” (diariamente 19:45, pelo SBT), o senhor “é uma vergonha”, pois só sabe dizer isso ao lado de comentários carolas, também frequentemente promove o total banimento das armas de fogo, tentando que a população as entenda como responsáveis por todos os tipos existentes de crimes. O que entende o senhor do assunto? O que conhece de armas de fogo? Por que não diz ao senhor Silvio Santos que tenha uma programação com menos filmes violentos? Por que o senhor se presta a este jogo besta?

Mais recentemente, segundo o encarte “Veja Rio” da revista Veja, o secretário da segurança pública do Rio de Janeiro propõe que o pretendente a porte de arma de fogo se submeta previamente a um teste psicológico. Por incrível que possa parecer, concordamos, desde que os candidatos a cargos políticos também. Estes, comprovadamente, com suas atitudes e corrupção, causam mais malefícios que as armas de fogo.

Uma outra ideia que atualmente tem grassado é de que facas portadas por cidadãos possam ser livremente tomadas pela autoridade policial. O já mencionado programa televisivo “Aqui e Agora” frequentemente mostra batidas policiais onde tais instrumentos são apreendidos; em São Paulo, alguns tenentes e sargentos da PM têm ordenado até a apreensão de canivetes. Legalmente, isto deve obedecer a um ritual específico, a autoridade policial devendo passar recibo da propriedade apreendida, como no caso das armas de fogo, e posteriormente justificar o ato perante a justiça. Também legalmente não existe essa bobagem de apreender a lâmina que tenha mais de 4 dedos de comprimento.

Nos atuais tempos de maior liberdade democrática e consciência política é muito importante que façamos valer nosso direito de apreciar e utilizar armas. Devemos mostrar que posições radicalmente contrárias são, por sua própria natureza, doentias e nazistoides. Estes senhores todos devem entender, definitivamente, que bandidos não compram armas de fogo em lojas; que o número de crimes cometidos com aquelas devidamente registradas é absolutamente o mínimo do mínimo; que portá-las conscientemente não significa risco algum para a população, conforme já está provado em muitos países; que não entender do assunto e querer externar opiniões os expõe ao ridículo público perante pessoas de importante e esclarecida classe social, em sua maioria.

Como faremos isto? Escrevendo a esses senhores, manifestando nosso repúdio, tentando esclarecê-los tecnicamente e, claro, caso se candidatem a algum cargo político, não votando neles. Eles é que são um perigo em potencial.

Índice

Índice da Edição
16
Pontos que Fazem a Precisão de RevólveresEspecial
Por José Joaquim D'Andrea MathiasTudo o que V. queria saber!
22
.38 SPL versus .380 ACP... Atirando!Teste
Por Neylton T.S. MatosCalibres preferidos dos brasileiros
28
CZ-99Teste
Por Jean-Louis CourtoisA "wondernine" iugoslava
34
Savage Modelo 24: uma Boa "Combination Gun"Especial
Por Rogério MacafernArma de sobrevivência ideal?
40
Novos Lançamentos de PeteanCutelaria
Por Laércio GazinhatoNovas tendências do artesão paulista
44
IWA 92Especial
Por Jean-Louis CourtoisNovidades europeias
56
Os Novos "Snubbies" da RossiTeste
Por Cel. R/I Carlos Elberto VellaModernidade e robustez compacta
62
Imbel TP PlusTeste
Por Luiz A. Horta (Tatai)Novas pistolas para IPSC
68
A Evolução dos Calibres Africanos — 1ª ParteMagnum Pesquisa
Por Eng. Creso M. ZanottaOs maiores do mundo...
74
Gaston Glock no BrasilEntrevista
Por Lincoln J. TendlerCriador das famosas semiautomáticas de plástico
78
Revólveres Smith & Wesson "Military & Police"Coleção
Por Dr. Nachman J. GordonFama mundial para o calibre .38 SPL
84
1º Field de Arco & FlechaEspecial
Por Ricardo CastilhoO tiro prático com flechas...
87
2ª Copa Sul-Americana de IPSCTiro Esportivo
Por Luiz A. Horta (Tatai)Um campeonato nível IV no Equador

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