Editorial
Apenas Um Sonho...
Resultado direto da publicação de nosso último editorial, "As Armas No Engraçado País do Carnaval-I", centenas de cartas chegaram à redação, comentando realidades regionais no tocante às discriminações que as Armas sofrem em nosso país. Os casos relatados vão desde cobrança de taxas exorbitantes para a expedição de documentos a elas relativos, tais como registros e portes, até casos de autoridades que simplesmente se negam a conceder os mesmos, ainda que satisfeita a mais ínfima exigência legal. Resumindo: grandes absurdos!
Esperávamos mesmo isto... apenas não supúnhamos que as arbitrariedades fossem tantas e cometidas tão deslavadamente. São casos de pouca (ou nenhuma) vergonha de poderes públicos que teimam em imaginar o Brasil como um grande feudo, onde somente os "amigos do rei" têm direitos e prerrogativas.
A coisa toda está dividida: de um lado, nós, o Povo, com um veículo específico da área e apoiado pelos verdadeiramente justos; de outro, eles, os que pensam que são poderosos porque alguém lhes deu um cargo público envolvido com Armas. Nesta última facção, uma honrosa exceção, consciente e poderosa, o Ministro do Exército, General Leônidas Pires Gonçalves, cujas lúcidas atitudes certamente passarão à verdadeira História Moderna deste sofrido país. Pelo menos na mente dos que apreciam as Armas de Fogo!
Embora não se trate aqui de promover a apologia de nosso Ministro do Exército, a grande verdade é que o General Leônidas Pires Gonçalves foi o militar que mais lutou (e luta ainda) por aspectos sérios de uma legislação que entenda as Armas de Fogo quando usadas pelos honestos. Suas atitudes são, para usar um termo político da moda, "transparentes", e sempre com o objetivo de melhorar, nunca cercear, ou possibilitar dúbia interpretação. A prova mais cabal disto foi a recente liberação da importação de armas estrangeiras de calibres permitidos (assunto da seção "Legislação" de nossa próxima edição).
Mas ele é um só e sabemos, ainda tendo que lutar contra mentes arcaicas e ignorantes, inclusive entre seus companheiros de farda. Urge, pois, que concordando com antigo ponto de vista nosso, nos preparemos para uma empreitada maior quando ele, infelizmente, deixar sua posição.
A solução que nos parece a melhor, e mais viável dentro de prováveis anos vindouros realmente mais democráticos, seria a rápida constituição de um "lobby" político, não só de empresários fabricantes, mas também das entidades mais ligadas ao uso das Armas, como, por exemplo, os clubes de caça, as associações de comerciantes, os clubes de tiro, etc.
Como fica claro, estamos pregando a união total, pois o outro lado há muito está coeso.
Seria bom também que as entidades verdadeiramente ecológicas parassem de observar os caçadores como seus inimigos e procurassem desfraldar suas bandeiras entendendo o manejo humano, inteligente, da caça como um instrumento eficaz na preservação não só das matas, mas também da fauna. O trabalho de órgãos sérios nessa área, como o IBAMA, o Projeto Pró-Fauna, a ABC Associação Brasileira de Caça e outros, não pode simplesmente ser marginalizado por grupelhos que apenas ao se autodenominarem "partidos, ou quaisquer outras coisas, verdes" acham que ser ecologista é simplesmente protestar. Para os mais radicais, que imaginam que estamos atacando todos os ecologistas, lembramos o velho ditado "Cada cabeça, uma sentença".
Mas como falar é fácil, o agir é que é difícil, a Corporação Magnum não pode, neste momento, se furtar de fornecer uma "receita" para a formação desse "lobby". Que tal montarmos um Comitê Pró-Armas, velha fórmula usada em países ditos como mais civilizados e adiantados que o nosso?
As associações de Colecionadores de Armas que agora, com a Portaria 312 (veja seção "Legislação" nesta edição), deverão se formar para usufruírem dos recentes benefícios de tal lei, recomendamos que procurem, antes, dialogar com a ABCA Associação Brasileira dos Colecionadores de Armas, com a ACOLTI e outras que possuem mais experiência e já percorreram um árduo e longo caminho na defesa de interesses comuns.
As entidades representativas dos comerciantes de armas regionais que se unam, os clubes de tiro e outros que constituam um organismo centralizador, os fabricantes de armas (dos mais variados tipos), que formem entidades representativas de seus interesses, etc. E que todos estes órgãos estabeleçam uma pauta de assuntos que devam ser levados ao conhecimento das autoridades, dos políticos, de segmentos selecionados da sociedade.
O gosto por armas faz presumir uma mentalidade combativa, esportiva e verdadeira por parte de honestos possuidores. É isto que temos que mostrar: uma força batalhadora, buscando a compreensão de nossos direitos como cidadãos. Apenas de nossos direitos!
Um ano eleitoral como este é extremamente propício a investidas políticas como esta e, se você reparar, todos os principais setores possuem um "lobby" que, em síntese, é uma ferramenta democrática. Assim, nossa "receita" de formação do Comitê Pró-Armas poderia ser resumida numa frase já gasta: "A união faz a força". É preciso, definitivamente, que passemos a acreditar nisto no mundo das armas.
Ora, dirão alguns, isto é apenas um sonho. A eles, respondemos: a Revista Magnum também era apenas um sonho nosso. Precisa dizer mais?
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