Editorial
EDIÇÃO ESPECIAL DE COLECIONADOR
Série REVÓLVERES 1: COLT
Muito se tem dito e escrito a respeito dessas armas que, de certo modo, representam a inventiva humana: desde seus primórdios, ou seja, do período em que a carga de projeção era a pólvora negra, pouco mudou nas características básicas dessa funcional “ferramenta”.
As principais modificações acrescidas a revólveres, além da melhora em materiais, passam pela mais significativa delas, a ação dupla (sem que, contudo, “morresse” a ação simples, hoje mais “viva” do que nunca e trazida do “mundo dos mortos” por aqueles cultores de um passado sempre presente) e vão até barras de transferência para torná-los mais seguros, passando por diferentes métodos de acionamento do giro do tambor e modificações cosméticas nesse componente.
Assim, tivemos revólveres semi-automáticos, que promoviam o giro através do aproveitamento da energia oriunda do disparo anterior, mas tal tendência nunca se firmou realmente, fazendo com que eles voltassem à teórica simplicidade e funcionalidade que lhes deu origem, ou seja, acionamento mecânico pelas mãos do Atirador. Lembramos ainda que o revólver não requer grande conhecimento no manuseio de Armas Curtas para que o Atirador possa carregar, fazer visada e disparar. Não existem travas, peças de manobra ou outros complicadores.
A citada simplicidade, contudo, não se refere a métodos de fabricação, já que produzir um revólver é - quase incrivelmente e devido a finos ajustes - mais difícil do que se construir uma pistola ou até mesmo uma metralhadora de mão.
A flexibilidade no emprego de munições é outra boa característica dos revólveres, já que não há a preocupação da carga “certa” para que se obtenha a volta em bateria, ou seja, a ciclagem, já que a mesma é efetuada manualmente pelo Atirador. Uma pistola, por sua vez, precisa de desenho especial (trancamento e retardo de abertura) e grande massa para poder digerir calibres de alto desempenho.
Em processos instrucionais iniciais, então, o revólver é imbatível: bastam, em tese, boa visada e bom posicionamento para que um novato sinta suficiente controle sobre o armamento, algo que geralmente leva a bons resultados.
No Tiro Esportivo há uma certa tendência de se separar os “revólveiros” do resto dos Competidores, às vezes até taxando-os de “teimosos” e “saudosistas irremediáveis”. Porém, ao contrário do que se pensa, esses valorosos Atiradores são os que mantêm viva uma Categoria que muito exige de seus praticantes, os quais geralmente lutam contra empunhaduras pouco ergonômicas, canos que não são um prolongamento do braço por posicionarem-se acima do desejado (diferença de altura entre eixo do punho do Atirador e eixo do cano do revólver) e inexistência de mecanismos internos de compensação de recuo - mas mesmo assim eles continuam competindo e obtendo excelentes resultados, havendo muitos que preferem e sempre preferirão revólveres a pistolas.
Independentemente dos motivos, revólveres sempre continuarão existindo - e contra todos os vaticínios daqueles que criaram pistolas semi-automáticas no Século XIX. A embasar tal afirmação, é só notar quantas companhias continuam produzindo revólveres neste raiar do Século XXI - e em uma infinidade de modelos, capazes de alegrar aqueles que conseguem ver essa “ferramenta” como insubstituível.
Como é de conhecimento geral, vários fabricantes se dispuseram a produzir revólveres de alta qualidade; e dentre eles podemos citar Smith & Wesson e Colt como os mais conhecidos mundialmente, lembrando ainda que outros nomes como Dan Wesson, Taurus e Korth, entre outros, podem ser acrescidos a tal lista de “famosos”, havendo ainda quem afirme que Smith & Wesson é revólver; Colt é pistola! Claro que tal citação se deve, inicialmente, aos estadunidenses - mas não corresponde exatamente à verdade - e para demonstrar estão aí, por exemplo, os Colts Python e Anaconda, indiscutivelmente grandes obras de engenharia. Quanto ao oposto, podemos concordar em parte, já que a S&W produziu algumas pistolas que, seguramente, não estavam à altura da fama da qual sempre desfrutou a conhecidíssima fabricante norte-americana.
Contudo, como o nosso foco são os revólveres, e não as pistolas, passemos agora a desfrutar da leitura desta edição sobre os “objetos de desejo” mais adquiridos (ou seja, diametralmente opostos às metralhadoras de mão - armas que 9 entre 10 Leitores adorariam disparar, porém de dificílima aquisição e complicada manutenção por aquelas e elas não acostumados) e, de longe, os preferidos por aqui, e por muito tempo.
Sejam eles em calibre .38 SPL ou .22 LR; ou ainda nos potentes .357 e .44 Magnum, sempre haverá lugar para tais itens nos corações daqueles que realmente apreciam o Tiro como um dos prazeres que a vida pode proporcionar ou, ainda, os que empregam tal tipo de armamento altamente funcional - ainda que despojado - como forma de autodefesa!
Os Editores
Índice · 2 páginas
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