Editorial
PREFÁCIO
O grau de fascínio exercido em muita gente pelas Armas de Fogo somente parece ter equivalência no medo ou repulsa que elas também evocam, instrumentos que são capazes de causar a morte de um ser humano. E é justamente esta dicotomia que as torna mais interessantes ainda.
Uma pessoa de minha maior intimidade jamais conseguiu - e, provavelmente, não conseguirá nunca - entender que tais artefatos possam ser estudados, analisados, manuseados e até mesmo utilizados sem necessária associação com morte, destruição e tragédias. Mas o fato é que armas sempre existiram, estão aí à nossa volta e têm a capacidade de influenciar a vida de pessoas, famílias e nações inteiras.
Dessa forma, as armas não podem ser simplesmente ignoradas. Sobretudo por gente a elas ligada profissionalmente (militares, policiais, etc.). Devem ser entendidas, conhecidas e... respeitadas. Procure ter sempre em mente que, quanto maior sua intimidade com elas, maiores devem ser os cuidados.
Com base numa psicologicamente desconcertante e fisicamente dolorosa experiência própria, considero-me em posição de afirmar categoricamente: não importando o quanto Você se julgue - e, de fato, seja - proficiente e adestrado com um ou diversos tipos de Armas de Fogo, o hábito quase sempre leva a uma perigosa combinação de autoconfiança excessiva, automatismo e descuido, mistura que resulta numa alta potencialidade para acidentes. Se alguém, que poderia perfeitamente ficar quieto e não tornar pública uma falha pessoal, optou por dar tal conselho, talvez valha a pena ser ouvido...
Ao longo de séculos a fio de incessantes conflitos humanos foram surgindo máquinas cada vez mais poderosas, para ataque e defesa. Artilharia mecânica (catapultas, balistas, etc.) já era usada por gregos e romanos, antes da Era Cristã; a descoberta da pólvora fez surgir, a partir do século XII, canhões, bombardas e morteiros; essa mesma artilharia foi se tornando cada vez mais pesada, com maior alcance e ganhando mobilidade, por terra e mar; o avião levou a destruição através de oceanos e continentes; o desenvolvimento de artefatos nucleares e mísseis para os lançarem, com precisão absoluta, a qualquer ponto da Terra parece ter culminado a capacidade do Homem se auto-aniquilar. Trata-se de perigo que, nesta Nova Era de um pouco mais de introspecção, parece estar sendo gradualmente afastado.
Bem, no transcorrer dessas guerras todas, em que pese a existência e o emprego de máquinas de maior poder de destruição coletiva, foram sempre os soldados com suas armas individuais (lanças, espadas, pistolas, mosquetes, fuzis, carabinas ou metralhadoras de mão, dependendo da época) que acabaram, cara-a-cara com o inimigo, consolidando um tipo qualquer de vitória e dando uma pausa - nem sempre de longa duração - na matança generalizada.
Esta obra procura dar uma idéia geral dos principais estágios de evolução de dois tipos de Armas de Fogo básicas, sobretudo ao longo do século XX. Evidentemente, em vista da multiplicidade de países e modelos envolvidos, não existe a pretensão de se ter uma descrição completa de tudo o que andou sendo idealizado, desenvolvido e efetivamente construído em termos de fuzis de assalto e metralhadoras de mão nem mesmo apenas no Brasil, quanto mais pelo mundo afora.
Muitas fotos, de difícil obtenção pela raridade da arma, foram gentilmente cedidas por diversas instituições históricas internacionais e mesmo por outras editoras especializadas em armas militares. Por vezes, a própria foto fornecida não está nos habituais padrões de qualidade rigidamente observados por MAGNUM, pelo que tanto eu quanto os Editores - antecipadamente pedimos desculpas, mas elas eram as únicas disponíveis...
Ainda assim, numa forma simples, o Leitor interessado certamente contará com uma adequada fonte para consultas básicas e preliminares. Históricos e análises técnicas mais detalhadas de armas específicas são encontrados, regularmente, nas páginas de MAGNUM, sendo que futuras Edições Especiais e outras publicações da mesma Editora estarão, gradativamente, preenchendo um vazio há muito sentido na área das informações, em nosso idioma, sobre estes assuntos.
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