Editorial
A Lição Australiana
(ou o que todo antiarma brasileiro deve saber)
No dia 28 de abril de 1996, na cidade australiana de Port Arthur, um maníaco feriu a tiros 35 pessoas. Doze dias depois, em 10 de maio daquele ano, leis federais tornaram ilegais toda e qualquer Arma de Fogo semi-automática na Austrália. Com isto, de um total de 7 milhões de armas em existência naquele país, 2,8 milhões foram proibidos, praticamente da noite para o dia.
Através de um súbito programa de captação de recursos monetários (curioso como dinheiro para bobagens governamentais aparece rapidamente!), 500 milhões de dólares foram destinados à compra de armas semi-automáticas na posse de honestos cidadãos australianos. Entretanto, apenas 25% das armas subitamente tornadas ilegais foram entregues ao governo, o que significa que somente 640 mil unidades saíram de circulação.
Lá, como aqui no Brasil, "especialistas" preconizaram que as taxas de crime iriam diminuir, no mínimo, 20% depois da proibição. Exatamente o contrário ocorreu (*):
12 meses após a lei, os homicídios aumentaram 3,2%, roubos a mão armada ampliaram 44% e assaltos elevaram-se em 8,6%;
Naquele mesmo ano de 1997, no Estado de Victória, a taxa de homicídios ampliou-se em 300%!;
Em 1998 o Estado de South Australia registrou uma elevação de quase 60% no índice de assaltos com Armas de Fogo;
Em 1999 o Estado de New South Wales registrou uma elevação de 20% na taxa de assaltos.
Com a "sábia atitude" de banimento das armas semi-automáticas em mãos de cidadãos honestos, a Austrália conseguiu, entretanto, uma "vitória": em menos de 24 meses tornou-se uma campeã nos percentuais de crime de roubo, sendo seguida pelo Canadá e Inglaterra, países que recentemente também aprovaram leis estúpidas contra o direito de ter e portar Armas de Fogo. Nos EUA, o atual percentual do crime de roubo é de menos 13% e o relatório Lott-Mustard atribui este pequeno índice como sendo o medo que os marginais têm de encontrar lares com pessoas armadas.
Esta triste lição da Austrália, tão duramente revelada em menos de 4 anos após uma lei draconiana e gerada na emotividade de um crime eventual, deve permanecer viva em nossas mentes como um exemplo claro do que NÃO deve ser feito com cidadãos honestos.
(*) Dados numéricos fornecidos pelo senador norte-americano aposentado H. L. Richardson, também citados em extenso artigo de sua autoria na Edição de fevereiro deste ano na revista "Guns & Ammo"
3 MAGNUM ABR/MAI 2000
Índice
Índice da Edição
7
Resposta Armada — Mais Casos ReaisResposta Armada
Por Klaus Mauser
9
Novas Normas para ColecionadoresLegislação
Por Os EditoresTodos devem conhecer
13
JavaliSafari
Por Os Editores
14
Técnicas e Táticas AprimoradasTrabalho Policial
Por Kevan Gillies e Max JosephA palavra de especialistas
20
FN P-90Teste
Por Lincoln J. TendlerUm novo padrão em submetralhadoras
26
Restauração TécnicaEspecial
Por Hélio Barreiros JúniorPasso a passo, os principais pontos
32
Valorização de MilitariaEspecial
Por Frank RabbitApostando no complemento das armas militares
36
Forjando Aço DamascoCutelaria
Por Pitter HammerDetalhes de um difícil processo
42
Tempo de RecargaRecarga de Munições
Por Eng. Creso M. ZanottaVocê gosta muito ou pouco?
46
Cowboy Action ShootingTiro Esportivo
Por Eng. Creso M. ZanottaA competição que dominou os EUA
51
Campanha de DesarmamentoEspecial
Por Tatiana Passos ZylberbergQuerem comprometer até os Esportes do Tiro
55
Uso e Tiro de Calibres Africanos — 2ª ParteMunições
Por Sérgio AlmeidaConcluindo um assunto fascinante
59
Marcas, Logotipos e Nomes de Armas — PMagnum Pesquisa
Por Eng. Creso M. Zanotta
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