Editorial
O CLAMOR POLICIAL
Parte do trabalho de um sério veículo de comunicação, principalmente quando ele é dirigido, é representar e externar os anseios da comunidade com relação aos assuntos periféricos, informando autoridades sobre os fatos importantes que merecem atenção, estudo e modificações.
Muito felizmente, assim tem sido com a Revista "Magnum", a qual tem sabido levar as principais reivindicações da comunidade amante de Armas Leves e de seu uso consciente e moderno. Para com os Esportes do Tiro estamos tentando ser imparciais, embora certos grupelhos insistam em nos assediar e/ou atingir de formas várias mas nunca com a sinceridade que pretendemos. Certamente, alguns ainda não entenderam que o caminho e a hora são de união e não de desagregação. Exatamente o contrário ocorre com o segmento dos Colecionadores de Armas, naturalmente mais ponderados, sérios e organizados, os quais através da união de diversas de suas entidades representativas nos convenceram a participar do que (na falta de uma oficial designação até o momento) poderíamos chamar de Fundação Brasileira Para o Estudo e Preservação das Armas de Coleção, pelo menos no plano teórico com sérios objetivos do interesse de todos, membros e autoridades.
Em edições anteriores, levantamos uma séria "bandeira ideológica" a respeito da necessidade de uma visão atual e desprovida de interesses materiais para com a liberação da Caça Amadora e da real defesa de ecossistemas, inclusive com a natural intervenção do elemento predador chamado Caçador, apenas isto sendo feito de maneira honesta e inteligente para com a Mãe Natureza. Os Fabricantes de Armas Leves e itens circundantes, seus comerciantes, técnicos e projetistas encontraram em Magnum o veículo ideal para a formação de sólidas e respeitáveis imagens. Igualmente, o veículo é bom vendedor e, assim, tornou-se forte nesse mister.
Os Leitores recebem exatamente pelo que pagam: informação de nível internacional e super atualizada, em perfeita sintonia com o que acontece com os melhores veículos similares de todo o mundo.
Apesar de tudo isto, notamos que o importante segmento policial, tão diretamente ligado a Armas quanto o militar, até hoje não se fez presente, a não ser por interessantes cartas isoladas de algumas de suas autoridades e de um ou outro profissional da linha de frente.
Assim, cumprindo nosso papel de sérios jornalistas técnicos, fomos buscar exatamente as questões que no momento ocorrem no âmbito policial e que merecem atenção e estudo, imaginando que com isto estamos cumprindo apenas uma obrigação democrática. Vamos a elas! Antes fazendo um esclarecimento: ouvimos comandantes e comandados, pessoal de gabinete e de campo. Desta forma, consideramos válidos os clamores.
AS ARMAS DOS VIGILANTES - Oficiosamente, porém com base prática, os policiais calculam que cerca de 60 a 80% das armas em mãos de bandidos advém de assaltos em locais onde existiam guardas particulares ou vigilantes: bancos, empresas, grandes residências, etc. Na absoluta maioria, essas armas são revólveres 38 Special, exatamente iguais aos usados também pela absoluta maioria dos policiais. Este fato, segundo muitos, é o responsável direto pelo nivelamento do armamento entre criminosos e policiais.
Proposta: obriga-se as empresas de segurança a dotarem seus guardas com um novo tipo de revólver, previsto para, digamos, calibre 32 Curto, com cilindro que comporte unicamente esse diâmetro do projétil em estojo de carga reduzida para evitar excessiva penetrabilidade. Sugere-se também uma numeração independente a este exclusivo tipo de revólver, bem como aos lotes de munição, ambos vendidos (e de uso permitido) apenas para as empresas de segurança. Assim, saber-se-á exatamente de onde partiram quando eventualmente apreendidos em mãos da marginalia, gerando controle inclusive para com as empresas de segurança que não treinam convenientemente seus homens. Ao longo de alguns anos, certamente os marginais estarão com o armamento desequilibrado, além de evitar-se o perigo mortal para com eventuais tiros perdidos por parte desses vigilantes, uma vez que eles não são mesmo devidamente treinados.
OS ARSENAIS-MEMÓRIA - A descarga de armas consideradas obsoletas pelo Exército é feita para as Polícias Militares dos diversos Estados. Outras tantas armas foram adquiridas diretamente por missões comerciais dos Estados, no passado. Assim, ao longo de muitos anos, os arsenais dessas entidades tornaram-se repositórios das armas da Memória Nacional, ditando os procedimentos legais cabíveis em caso de se querer desfazer delas que: a) voltem para as unidades de exército para serem destruídas; b) sejam comercializadas para empresas no Exterior, tanto pelo exército como pelas polícias estaduais; e c) sejam "deformadas" historicamente por "adaptações" mais modernas por parte de fabricantes nacionais de armas e armeiros desses organismos, tornando-se, assim, obsoletas até do ponto de vista de sua preservação como item original da memória nacional.
Proposta: liberar-se às Polícias o leiloamento dessas armas entre os Colecionadores brasileiros, os quais individualmente irão preservá-las, não tendo que correr ao Exterior para adquiri-las, sempre a preços aviltados, justamente pelos canais de distribuição das empresas estrangeiras, as únicas a nosso ver que comprovadamente lucram com o antigo sistema. Com isso, as Polícias Estaduais teriam mais verbas para veículos, armamento novo, maiores e melhores programas de treinamento, etc. Afinal, são mesmo armas que o próprio Exército considerou obsoletas.
OS IMPOSTOS DOS ARMAMENTOS E MUNIÇÕES - Por incrível que isto possa parecer, as corporações policiais pagam o mesmo imposto que os consumidores civis, sendo que a absoluta maioria considera isto injusto. Pessoalmente, também achamos. Os clubes de tiro, onde, então, as Armas Leves são usadas para propósitos não tão relevantes quanto a defesa da população, conseguem obter munição (e repassar aos associados) com isenção de impostos, ao preço de custo.
Propostas: estes impostos advindos das compras de Armas e Munições por parte das corporações policiais, os quais "no frigir dos ovos" são realmente uma migalha em dimensão nacional, não seriam, digamos, naturalmente substituídos pela obrigatoriedade de consumo de um tipo de revólver e especial munição proposta no item anterior? Não vale é cortar o benefício dos Clubes e Atiradores. Segundo cálculos apressados, esta justa eliminação de impostos daria para comprar 45% a mais de revólveres e cerca de 60 a 70% a mais de munição.
Sabemos que, caso isto tudo se concretize, não irá acabar com a violência e criminalidade, mas certamente irá dar mais condições ao policial brasileiro e, em alguns anos, dotará uma parcela dos marginais com baixo poder de fogo, tornando o combate ao crime algo mais fácil. Não propomos a panaceia universal, apenas sugerimos o que julgamos pode ser rapidamente feito, desde que se encontre o apoio de autoridades modernas, também preocupadas com a segurança da população, na qual incluem-se seus familiares e descendentes.
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